Monday, July 04, 2011

SEGUNDO GRANDE FESTIVAL DE MANOLITA

Em 2006 me pediram uma pesquisa sobre a canção "Manolita" de Leo Daniderff e resolvi compartilhar o resultado aqui no blog. Três anos depois, a pedido do Centro de Memória do Circo, fiz uma pesquisa sobre música e circo - que acabou se revelando a primeira de grande porte em todo o mundo - e descobri que "Manolita" tem tudo a ver com circo, visto que fez sucesso por ser cantada nos picadeiros, começando pelo palhaço-cantor Eduardo das Neves, autor da versão em português mais conhecida. Dessa pesquisa resultou uma nova leva de Manolitas.

Vicente Celestino, nosso emérito tenor punk, mestre brasileiro do dramalhão musical, também gravou "Manolita" em 1943, mas fez sua própria versão em português. E o sucesso de "Manolita" não passou despercebido pelo bom humor. A valsa teve pelo menos duas paródias lançadas em disco, por Alvarenga e Ranchinho e Zé Fidélis - sim, ambas lançadas em 1943, mas quinze anos depois Zé Fidélis gravou nova versão revisada em seu primeiro LP, Zé Fidélis E Suas Paródias (também o primeiro LP brasileiro de humor!). 


Sobre a gravação de Alvarenga e Ranchinho, recomendo ler este  texto.

E a gravação mais recente que conheço de "Manolita" é de um LP de 1969, no estilo "pilantragem", com uma Bandinha Pilantra menos misteriosa que as cantoras francesas de 1910/11, pois inclui o maestro Ivan Paulo e, no coral, Edgard Gianullo e Noriel Vilela, além de aludir aos Velhinhos Transviados (e à "Ventania" de Geraldo Vandré!) no título do disco, Macropíla - De Como Uns Velhinhos Perderam O Cavalo E Passaram A Andar De Fusca.

Todas as gravações citadas de "Manolita" podem ser conferidas aqui.

Para terminar (enquanto não aparecerem novas ou velhas gravações de "Manolita", é claro), direi que, ao menos para mim, a melodia do refrão ("alza, alza, Manolita...") me lembra a de "La Violetera" ("Llevelo usted señorito...") de José Padilla, outra canção sobre a qual me solicitaram pesquisa e que merece mais "festivais" destes; aqui está o primeiro.

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Monday, March 13, 2006

PRIMEIRO GRANDE FESTIVAL DE MANOLITA

Nestes dias me pediram uma pesquisa sobre “Manolita”, uma canção de grande sucesso nos anos 1940, um brega-chique de boa melodia (como se espera de boas canções pop de qualquer época) cuja letra é um dramalhão punk ambientado na Espanha.

"Manolita" é originalmente “Alza Manolita”, dos anos 1910, do compositor francês Leo Daniderff (1878/1943), cuja obra mais famosa talvez seja “Titine” (utilizada no filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin). As duas gravações mais antigas de que tenho notícia são as das cantoras francesas Marcelly e Henriette Leblond (que para serem consideradas obscuras ainda exigem muita pesquisa), respectivamente de 1910 e 1911.

“Manolita" fez um baita sucesso no Brasil, tendo inspirado várias versões e paródias e até se tornado sinônimo de nota de um cruzeiro nos anos 1940. A canção tornou-se grande sucesso com a versão em português feita em 1918 pelo palhaço e cantor Eduardo das Neves e cantada por ele nos circos; esta versão só chegou ao disco dez anos depois, cantada por Arthur Castro (embora sem crédito no disco para Eduardo). Esta versão de Eduardo das Neves fez ainda mais sucesso nas regravações de Osny Silva e Francisco Alves, ambas de 1943.



Antes de brilhar como Rei do Baião, o arretado Luiz Gonzaga se afirmou como sanfoneiro de responsa. Ary Barroso reclamou de Gonzagão tocar música brasileira com "instrumento de tango"; talvez ele tenha até gostado de sua interpretação de "Manolita", feita também em 1943, para aproveitar o sucesso das gravações de Chico Viola e Osny.

E para conferir estas e outras gravações, dirija-se ao "Segundo Grande Festival de 'Manolita'" aqui mesmo neste blog. Vale também conferir a página De La Belle Époque Aux Années Folles, especial para fãs de música e gravações da bela era mecânica.

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