SAMBA PRA CARAMBA - PARTE 1
Já que sempre reclamei de que o Brasil é o país onde menos se ouve música brasileira, vou fazer minha parte para corrigir isso. Aqui estão alguns sambas que fizeram muito sucesso nos anos 1970 e que, até onde sei, nunca foram reeditados desde então (estas transcrições foram feitas a partir de discos mono!).
Para começar, o grande Jair Rodrigues com "Leão De Coleira", composição do sambista de morro Velha, gravação de 1970.
Jair Rodrigues - Leão de Coleira
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A gravação que marcou a passagem de Luiz Ayrão da jovem guarda para o samba foi este dueto com Picolino da Portela: "Puxa, Que Luxo", composição de ambos, lançada em 1971.
Picolino da Portela e Luiz Ayrão - Puxa, Que Luxo
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Na transição do singelo samba de morro para o simples e direto sambão-jóia temos "Vai Pro Lado De Lá", de Candeia e Euclenes, lançdo por Candeia em 1971 e sucesso com Nerino Silva no ano seguinte.
Nerino Silva - Vai Pro Lado De Lá
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E alguém se lembra - ou ouviu falar - de Maria Luiza Imperial? Filha de Carlos Imperial, ela se lançou como cantora e compositora no começo dos anos 1970, e deve ter seguido conselhos do pai ao fazer declarações escandalosas como "ninguém me convence de que Noel Rosa é bom, 'Conversa De Botequim' é uma droga sem tamanho". Bem, ela conseguiu ser plagiada por João Bosco: compare o trecho "na figura de um bravo feiticeiro" de "O Mestre-Sala Dos Mares" com o trecho "hoje nos teus braços quero esquecer" de "Amor, Amor", parceria de Maria Luiza com Paulo Menezes e o bloco carnavalesco Bafo da Onça, gravada pelo grande Jorge Goulart em 1972.
Jorge Goulart - Amor, Amor
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Labels: MPB, samba
VIXE, COMO TEM ZÉ (RODRIX) NA MÚSICA BRASILEIRA
O título desta pequena homenagem ao grande Zé Rodrix parece-me adequado, lembrando que ele, embora carioca, era filho de um músico baiano. Zé era músico completo, incapaz de receber um rótulo só: roqueiro, MPBzeiro, jingleiro, arranjador, maestro, escritor...
Começaremos pelo começo: um maxixe de sua autoria (ainda assinando "José Rodriguez") como integrante do grupo Momento4uatro, gravação de 1967.
Momento4uatro - Glória
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Não, esta mensagem não inclui "Casa No Campo". Mas inclui outro grande sucesso de Zé, "Hoje Ainda É Dia De Rock", consagrado na interpretação de Sá, Rodrix & Guarabyra - mas lançado um ano antes quase em segredo pelo grupo Os Famks (sim, o futuro Roupa Nova).
Os Famks - Hoje Ainda É Dia De Rock
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A versatilidade de Zé não tinha limites, nem a de Sá e Guarabyra. Além de fazer sucesso com a ironicamente nostálgica "Zepelim", o trio compôs sob o mesmo tema a marcha "Cordão Do Zepelim", lançada por Nara Leão em 1972.
Nara Leão - Cordão Do Zepelim
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Zé se revelou um dos maiores "hitmakers" de sua geração - e até de todas as outras. Quem lembrou de sua composição "Gerações", para uma telenovela dos anos 1970, deve ter se lembrado também de seus muitos temas novelísticos de sucesso - e náo só da Globo, como atesta "João Corisco", que SR&G compuseram e interpretaram para a novela Jerônimo, O Herói Do Sertão da TV Tupi em 1972 (a trilha tem mais gravações e composições de SR&G que se tornaram raras e merecem ser reeditadas condignamente quando nossas grandes gravadoras mudarem, ou seja, melhorarem, mas isso já é outra novela).
Sá, Rodrix & Guarabyra - João Corisco
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Falamos sobre composições que seguem o mesmo tema. Pois bem, agora vou falar um pouco em "bloguês". Ontem estive no altamente recomendável sebo Big Papa (na Galeria Nova Barão, fone 11 3237-0176), comandado por Carlos e Kátia, talvez o casal mais simpático do mundo do disco desde Zé & Júlia da Nuvem Nove. Um dos assuntos de ontem foi o passamento de Zé Rodrix, e Carlos, que residiu em Cuba, contou-me da surpresa ao chegar ao Brasil e ouvir um dos grandes sucessos de Zé, "Quando Será". "Essa música fez sucesso lá em Cuba com Willie Colon!", Carlos comentou. Chegando em casa, dei uma googlada e descobri: Carlos se referia a "El Dia De Mi Suerte", composição de Colon em parceria com Hector Lavoe e lançada por Colon em 1973. Náo foi propriamente um plágio; Zé e Colon desenvolveram a mesma idéia em clima de "latinidad", mas com melodias diferentes. Confira:
Willie Colon - El Dia De Mi Suerte
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E ninguém pense que Zé ficou preso aos anos 1970. Ele seguiu ativo e criativo; inclusive, no terceiro milênio, tornou-se curador do Clube Caiubi de Compositores, formando com alguns integrantes o grupo Os Tropeçalistas (que gravaram um CD) e compondo com um dos diretores do Clube, o emérito Sonekka, uma das melhores composições de ambos: "Nunca Senti Tanto Medo De Ser Feliz", da qual aqui vai um vídeo ao vivo, cantado por Sonekka e Bárbara Rodrix, filha de Zé.
Sonekka e Bárbara Rodrix - Nunca Senti Tanto Medo De Ser Feliz
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Labels: MPB, Rock brasileiro
...EM TODO INSTRUMENTO SE CANTA E GEME DE VERDADE
Em março a Folha de S. Paulo, aproveitando o lançamento do novo filme inspirado na composição "O Menino Da Porteira", pesquisou as composições sertanejas mais queridas, de acordo com vários artistas, profissionais de comunicação e pesquisadores musicais (este que vos tecla foi um dos consultados). A mais votada foi "Tristezas Do Jeca", e a reportagem (cuja versão online está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u535294.shtml) foi publicada em 16 de março. Pois bem, aqui vai uma pequena homenagem para sonorizar a leitura deste bom trabalho.
"Tristezas Do Jeca" (o título original é no plural mesmo) foi composta por Angelino de Oliveira em 1918 e sua primeira gravação foi feita pela Orquestra Brasil-América em 1923, só que instrumental; o primeiro registro com letra é de três anos depois, por Patrício Teixeira. (A gravação de Paraguassu, tida por muitos como a original, é de 1937 - foi "apenas" a primeira a fazer grande sucesso.)
Patrício Teixeira - Tristezas Do Jeca
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Clássico entre os clássicos da canção caipira e popular, "Tristezas Do Jeca" tem sido regravada por artistas de várias épocas e gêneros. Um bom exemplo é do arretado Luiz Gonzaga, em 1982.
Luiz Gonzaga - Tristezas Do Jeca
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Gonzagão nem foi o primeiro sanfoneiro a gravar "Tristezas Do Jeca" em estilo nordestino; em 1953, quase três décadas antes, foi a vez do gaúcho Chiquinho do Acordeon (por sinal, a música sertaneja gaúcha influenciou muito a nordestina; Gonzagão foi inclusive imitador confesso de outro gaúcho, Pedro Raymundo).
Chiquinho do Acordeon - Tristezas Do Jeca
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Artistas mais sofisticados, inclusive eruditos, estão sempre atentos para inspiração vimda de toda parte, e intérpretes urbanos também captaram a beleza da melodia de "Tristezas Do Jeca". Três bons exemplos são o Zimbo Trio (em 1983), o violonista Carlos Iafelice (c. 1982) e o pianista erudito Charles Franz (1988).
Zimbo Trio - Tristezas Do Jeca
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Carlos Iafelice - Tristezas Do Jeca
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Charles Franz - Tristezas Do Jeca
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Há pelo menos duas versões country de "Tristezas Do Jeca". Uma é de 1976 por um grupo chamado Os Peões (de um LP intitulado Brasil Country, lançado pelo Fórmula, selo da Continental mais lembrado hoje por pop-brega-comercial cantado em inglês). A outra é de 1985, com o grupo Hillbilly, num LP produzido como brinde de fim de ano pela Cincom Systems. (Detalhe: o LP dos Peões, lançado como apenas um produto - embora muito bom - , não traz informação alguma sobre o grupo, enquanto o disco da Cincom dá todos os detalhes sobre a gravação, incluindo vários artistas.)
Os Peões - Tristezas Do Jeca
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Hillbilly - Tristezas Do Jeca
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Lembraremos também do grande violeiro mineiro Renato Andrade (aliás, ele declarou não gostar da palavra "violeiro": “Muito pejorativa. Não poderia ser violista porque existe o executante da viola de orquestra. Mas há uma outra palavra, se bem que sofisticada demais, que me caberia: violanista”), em sua gravação de 1985.
Renato Andrade - Tristezas Do Jeca
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E se "tristezas" lembram "choro", não poderia faltar uma gravação em choro - e aqui está, feita pelo trombonista Zé Festa (num LP todo no estilo, Choro No Sertão) em 1983.
Zé Festa - Tristezas Do Jeca
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Vale lembrar que a canção inspirou um filme homônimo de 1960, dirigido por Milton Amaral e estrelado por Mazzaroppi (a propósito, já que "O Menino Da Porteira" inspirou dois filmes, está mais que na hora de um segundo filme sobre "Tristezas Do Jeca"). E muitas destas informações foram reunidas em minha Enciclopédia Das Músicas Sertanejas (Letras & Letras, 2001), primeira enciclopédia sobre o assunto e que, não me avexo em dizer, ainda aguarda patrocínio e/ou editora para reedição.
Labels: MPB, música sertaneja
ORIGINALIDADE É ISSO AÍ - ESPECIAL CARNAVAL
Na semana passada foi publicada um relação das canções carnavalescas mais executadas no século 21, de acordo com o ECAD. Alguns destes sucessos podem ser ouvidos em qualquer baile momesco, mas não em qualquer loja de discos; portanto, aqui vão eles.
A mais tocada nos bailes carnavalescos ("Mamãe, Eu Quero" de Jararaca e Vicente Paiva consta como "apenas" a terceira colocada) é "Cabeleira Do Zezé", parceria de João Roberto Kelly com Roberto Faissal, lançada por Jorge Goulart em 1963.
Jorge Goulart - Cabeleira Do Zezé
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João Roberto Kelly é o tipo do compositor antenado, que soube combinar a MPB com influências estrangeiras, fazendo música carnavalesca da melhor e ao mesmo tempo usando (no bom sentido, claro) o Carnaval para facilitar a aceitação brasileira do rock como música e comportamento. Após fazer o povo pular e cantar canções cujo tema eram os primeiros cabeludos brasileiros da era do rock, no ano seguinte Kelly ajudou sobremaneira a preparar o terreno para o estouro da jovem guarda ao falar da mulata que dança hully-gully e iê-iê-iê com "Mulata Iê-Iê-Iê", lançada por Emilinha Borba. (Notem que a mulata da marchinha caiu no rock mas era da bossa nova, ou seja, passou de um gênero estrangeiro de influência estrangeira para outro - exatamente como Roberto, Erasmo e tantos outros haviam deixado a bossa nova pelo rock).
Emilinha Borba - Mulata Iê-Iê-Iê
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E a vice-campeã é a sempre atual "Me Dá Um Dinheiro Aí", composição dos irmãos Homero, Glauco e Ivan Ferreira e lançada por Moacyr Franco em 1959. Vale lembrar que, paralelamente à carreira de emérito humorista, Moacyr havia inaugurado sua discografia cantando principalmente rock, e em 1960 seguiu o mesmo tema desta marchinha, com o "Rock Do Mendigo", dos mesmos autores e de refrão pródigo em "iê-iê-iês".
Moacyr Franco - Me Dá Um Dinheiro Aí
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Labels: carnaval, gravações originais, MPB
ELES TAMBÉM GRAVARAM ROCK - PARTE 1
Após a primeira leva de minha pesquisa Eles Também Gravaram MPB, aqui vai o outro lado da moeda: artistas de MPB mais castiça ou profissionais de rádio, cinema etc. que se aventuraram pelo rock and roll.
Talvez o disco mais incomum (além de um dos mais raros) de todo o cânone dos Demônios da Garoa seja um 78 RPM para a Philips somente de baladas-rock em 1963. Um dos lados é a famosa "Quando Calienta El Sol", em versão de Arnaldo Rosa, o vocalista dos Demônios: "Ao Nascer Do Sol".
Os Demônios da Garoa - Ao Nascer Do Sol (Cuando Calienta El Sol)
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Neyde Fraga foi grande intérprete pop, não só de sambas e marchas, mas também versões de pop não-rock estrangeiro como a valsinha "Hi-Lili-Hi-Lo" e, neste caso, "Estúpido Cupido", a convite da Continental, para aproveitar o grande sucesso da gravação de Celly Campello (há exatos 50 anos, o tempo passa) na Odeon.
Neyde Fraga - Estúpido Cupido (Stupid Cupid)
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Sérgio Ricardo não é apenas grande nome da bossa nova, saindo-se bem também em outros gêneros como samba, toada e até neste rock com balanço latino, "Aleluia", com o qual inclusive ganhou um festival na Bulgária em 1968.
Sérgio Ricardo - Aleluia
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Luiz Claudio é outro artista eclético que brilhou na bossa nova mas merece ser ouvido também ao interpretar gêneros diversos, como canção sertaneja e este rock-cha-cha-chá, uma versão de "Venus" (de Ed Marshall e sucesso mundial com Frankie Avalon nada menos de duas vezes, em 1959 e numa versão discothèque nos anos 1970). Notem que esta versão menciona uma "namoradinha de um amigo meu", mote que um dia iria fazer sucesso com outro jovem cantor que iniciava sua discografia naquele mesmo ano de 1959.
Luiz Claudio - Vênus (Venus)
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Antes que alguém grite ou digite "Toca Raul", apresentaremos as Irmãs Galvão (anos antes de passarem a se apresentar como As Galvão) com um belo arranjo pop-sertanejo para "Tente Outra Vez", de 1992.
Irmãs Galvão - Tente Outra Vez
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And now... the Brazil-recorded rock recording everybody's been waiting for! É por ele mesmo, Tom Jobim, com seu arranjo para a balada "O Trem Azul" do Clube da Esquina, no álbum Cais, tributo de vários artistas a Ronaldo Bastos lançado há exatos 20 anos, em 1989.
Tom Jobim - O Trem Azul
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Labels: MPB, Rock brasileiro
MUITO ALÉM DO JEQUIBAU
O pianista paulistano Mário Albanese é também um dos melhores compositores brasileiros de todos os tempos - e quem acaso me chamar de exagerado devido a essa afirmação tente continuar me chamando de exagerado após ouvir a amostra abaixo.
É ótimo que Os Três Moraes, um dos melhores grupos vocais dos anos 1960 e 1970, esteja se reunindo, ainda que ocasionalmente. Esta gravação de "Maré Alta", parceria de Albanese com Cyro Pereira (e não à toa uma das, em bom português, "my all-time favourite songs"), nem foi lançada no Brasil, e sim nos EUA, com o nome pouco sutil de Os Três Brasileiros, em 1969.
Os Três Moraes - Maré Alta
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A marcha-rancho "Você", parceria de Albanese com Heitor Carrillo (sim, o autor de "Este É Um País Que Vai Pra Frente" e "Chum-Chim-Chum"), foi um dos grandes sucesso de 1960; aqui está a gravação da cantora Marisa Barroso.
Marisa Barroso - Você
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Tão eclético quanto criativo, Albanese compõe até rock - e dos bons. Garanto que muitas bandas de garagem por aí não soam tão "psych" quanto "Gamboa", parceria (em inglês) de Albanese com Cyro Pereira, na interpretação do Modern Tropical Quintet, com vocal-solo da holandesa Sara Chretien, então recém-radicada no Brasil e que logo mudaria o nome para Sara Teixeira (além de gravar nos anos 1990 um bom LP com o nome Sara Voz).
The Modern Tropical Quintet - Gamboa
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Sara merece mais uma dose, e cantando em holandês: "No Balanço Do Jequibau" (em jequibau, o famoso ritmo em 5/4 criado por Mário Albanese e Cyro Pereira - como, por sinal, Maré Alta"), tornada "Vlinder", "borboleta" em holandês (sendo uma versão de versão, pois "No Balanço do Jequibau" fez sucesso nos EUA como "Pretty Butterfly").
Sara Teixeira - Vlinder
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Para terminar esta amostra, o lado bem humorado de Mário Albanese, numa parceria com Irvando Luiz, emérito autor de textos humorísticos para a Rádio e TV Record (e parceiro de Adoniran Barbosa no maxixe "É Da Banda De Lá"): a toada caipira "Crendices", que alguns conhecem da interpretação deste que vos tecla, de 2004 - mas vamos ouvir aqui a gravação original, de 1960, com a cantora Regina Célia.
Regina Célia - Crendices
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Labels: Mário Albanese, MPB
GERALDO BLOTA (1925/2009)
Espero que 2009 não se torne um novo 1977, quando faleceu gente importante no atacado (uma amostra: Maysa, Bing Crosby, Dilermando Reis, Marc Bolan, Charlie Chaplin, Elvis Presley). Só no ramo do rádio brasileiro, mal falei de Fausto Canova (veja a mensagem abaixo) e acabo de saber da perda de Geraldo Blota, mestre do rádio esportivo, falecido anteontem (14 de janeiro). Além de emérito radialista, merece ser lembado como co-autor da marcha "Ói Nóis Aqui Tra Veis", parceria com Joseval Peixoto e lançada com muito sucesso (a ponto de seu título ter entrado para o vocabulário popular) pelos Demônios da Garoa em 1968. Não colocarei a gravação para baixar por ela estar em catálogo (embora geralmente em coletâneas pouco pensadas), mas dá para ouvir aqui.
http://www.last.fm/music/Dem%C3%B4nios+da+Garoa/_/%C3%93i+N%C3%B3is+Aqui+Tr%C3%A1+Veis
Labels: MPB, rádio
FAUSTO CANOVA (1933/2009)
Uma pequena homenagem ao grande radialista Fausto Canova, falecido em 3 de janeiro, ao 78 anos. Uma das melhores vozes do rádio ("do tempo que", para citar outro emérito Fausto das comunicações, locutar náo era simplesmente sair gritando) desde os anos 1950, Canova também se aventurou como cantor, mas infelizmente abandonou esta carreira após gravar poucos discos com sua "voz de travesseiro" no estilo de Dick Farney (estilo que caiu de moda com os sussurros da bossa nova ortodoxa e os vozeirões de Leny Eversong e outros). Canova também pode ser apreciado como autor de textos de contracapas de discos, como o primeiro LP do Zimbo Trio. E aqui está uma das poucas gravações de Canova como cantor, um samba-bossa singelamente intitulado "Sambinha", composição de Mário Albanese e Eros Grau, gravação de 1960.
Fausto Canova - Sambinha
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Labels: Mário Albanese, MPB, rádio
HUMOR A PRESTAÇÃO
As grandes idéias (deixei "idéias" com acento porque sem ele para mim seriam "idêias" e, em tais casos, mais vale uma boa briga pela clareza que um mau acordo ortográfico) não vêm de uma cabeça só. Vejam: enquanto compus (em parceria com o emérito parceiro Wilson Rocha) o samba-rock "Vou Prestar Concurso", escrito e gravado com meu grupo TONQ (e, no vocal, o convidado Luiz Hespanha) no segundo semestre de 2006 e lançado em shows e na página Senhor F em meados do ano seguinte, na mesma época (segundo semestre de 2006) o grupo de teatro brasiliense Cia. G7 teve a mesma idéia (não "idêia") de esculhambar concursos públicos, nascendo assim a peça Como Passar Em Concurso Público, cuja estréia (sim, com acento, não foi "estrêia") se deu em março de 2007 no Teatro dos Bancários em Brasília; a peça fez sucesso, inclusive em temporada no Rio de Janeiro. E agora é a vez de São Paulo, a partir de 9 de janeiro, no Teatro Gazeta.(Detalhe: nosso amigo Zé Brasil, emérito e veteranérrimo roqueiro brasileiro, vai gostar de saber que o personagem principal desta peça é seu xará.)
Espero que o G7 leia (não "léia") isto e tome conhecimento desta canção do TONQ (a ser lançada em disco nos próximos meses) sobre o mesmo tema da peça e que todos passemos no concurso da consagração total, sem precisar apelar para baixaria, que é coisa feia (não "féia").
TONQ - Vou Prestar Concurso (Ayrton Mugnaini Jr./Wilson Rocha)
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PS: Reforma ortográfica coerente e eficiente para valer seria conforme sugerida por Ziraldo numa charge para O Pasquim lá em 1971 (a propósito de reforma ortográfica daquele ano, mais coerente que esta): a remoção de absolutamente todos os acentos.
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COMETENDO UMA HOMENAGEM
Para quem gosta de efemérides, um aniversário de 2008 que passou despercebido foram os 60 anos da velha e boa Viação Cometa, completados em maio. Aqui vai uma sonora homenagem em todos os sentidos auditivos do termo, nada menos que uma marchinha: "Viação Cometa", composição de Oscar Gomes Cardim, cantada por Alcides Fonseca e lançada por volta de 1953 num 78 RPM da gravadora Sinter. Leia sobre a história da Viação Cometa em:
http://www.viacaocometa.com.br/viacaocometav01/portugues/historico/historiaCometa.aspx
e ouça a marcha aqui:
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UM LIVRO REALMENTE DOS DIABOS
Acabo de receber um dos primeiríssimos exemplares de um livro para o qual honrosamente colaborei com discografia & informações: Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa, nada menos que o primeiro livro sobre o grupo, escrito pelo intimorato Assis Ângelo e publicado pelo Grupo Trends Tecnologia. A revelação da verdadeira origem do nome Demônios da Garoa é apenas um dos muitos atrativos das 280 páginas do livro, que, além de ir fundo nas origens dos Demônios, obviamente o situa em sua época & ambiente artístico junto a artistas contemporâneos, influências e seguidores. Encomende já seu exemplar com a produtora editorial do projeto, Andrea Lago, andrealol@terra.com.br
(Curiosidades adicionais: Assis Ângelo manda avisar por este blog que "pascalingundum" - a forma correta da frase criada por Arnaldo Rosa, vocalista-solo dos Demônios, para o "Trem Das Onze" - não é mais um "nonsense" sonoro e ritmado, tendo recebido de Assis significado de saudação e votos de felicidades, equivalente a "paz e amor" ou "muito axé". E enquanto o grupo Made In Brazil, igualmente digno de nota embora dedicado a outro gênero musical, orgulha-se de ter tido mais de cem formações em 41 anos de carreira, este livro lembra que os Demònios, muito mais longevos - inclusive reconhecidos pelo Guinness Book Of Records como o grupo de música popular com mais tempo de atividades ininterruptas - , mal passaram de trinta formações desde o surgimento nos anos 1940.)
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