Saturday, August 22, 2009

LEMBRAM-SE DE EDUARDO MOREIRA?

O saudoso cantor e guitarrista Eddy Teddy foi um dos pioneiros das feiras de discos de rock no Brasil e também da retomada do rockabilly nos anos 1980, tocando em grupos como Rockterapia e Coke-Luze. E seu filho Luiz Teddy, também emérito rockabileiro à brasileira (foi integrante dos Krents), está produzindo um documentário sobre o rockabilly caboclo, além de comandar um blog em homenagem ao pai: http://eddyteddy.wordpress.com/

E um de meus orgulhos é ter sido integrante, lá em 1980, de um dos grupos de Eddy Teddy, o British Beat - dedicado, como o nome faz supor, ao rock inglês dos anos 1960, antes de Eduardo Moreira mudar o nome artístico e aderir de vez ao rockabilly. Os integrantes eram Eddy na guitarra-base, Vicente Scopacasa na bateria e eu e Reinaldo alternando na guitarra-solo e no contrabaixo. (Por sinal, Vicentão é emérito especialista em rock inglês, tendo sido inclusive ele quem sugeriu o nome da banda; e tive o prazer de tocar novamente com ele quase 20 anos depois na banda Peppermint, ao lado de Bogô, Suely Chagas, Suzy Sallum e Raphael Villardi. Que supergrupo, hein? Pena que restaram apenas algumas fotos e gravações em vídeo e cassete. Espero que esta formação se reúna algum dia!)

Eddy Teddy tinha o hábito salutar de gravar tudo que era ensaio e show. Aqui estão duas gravações do British Beat produzidas por ele. De um dos ensaios, "With A Girl Like You" dos Troggs; Vicentão canta as estrofes, Eddy canta a parte do meio e eu estou no vocal de fundo (e contrabaixo). E do único show do grupo, na casa de Eddy Teddy em 13 de dezembro de 1980 (show por sinal dedicado a John Lennon, falecido naquela semana), "These Boots Are Made For Walkin'" no arranjo instrumental dos Ventures (com Reinaldo na guitarra-solo).

British Beat - With A Girl Like You

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British Beat - These Boots Are Made For Walkin'

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Thursday, August 20, 2009

ESTA LULU TAMBÉM TEM MUITOS LUVVERS

Nem faz tanto tempo que a moda no mundo dos quadrinhos era voltar à mais tenra infância: Pernalonga, os Flintstones, a Turma da Mônica e outros tiveram suas versões "kids". Agora temos a onda "teen", com mais uma metamorfose dos personagens de Mauricio de Souza, a Geração Z das Meninas Superpoderosas (um desenho criativo reduzido a mais um animê histérico; desta vez o dia não foi salvo) e a veneranda Luluzinha transformada em Luluzinha Teen. Notei também alguns debates quanto à qualidade desta Luluzinha Teen em relação à anterior, alguns elogiando, outros dizendo ser uma imitação forçada da Turma da Mônica Jovem. De qualquer modo, duas coisas são certas. As histórias da Luluzinha dos anos 1940 a 1960 são tão engraçadas quanto inteligentes e parecem até ter melhorado com o tempo, gosto ainda mais agora que na minha infância lá em 1964. E não estou sozinho: o fã-clube de Lulu tem sócios pelo mundo afora. Aqui estão algumas demonstrações musicais disso, de gêneros, épocas e países diversos.

A mais famosa e óbvia é "Be-Bop-A-Lula", lançada em 1956 pelo roqueiro Gene Vincent, que pronunciava "Lulu" como "Lula" devido ao sotaque de sua região de origem, o Sul dos EUA. Como gsto de fugir do óbvio, trarei uma versão em japonês, escrita por Seuti Yida e cantada por Yoko Abe em 1959 no Brasil - a cantora Abe-san foi o primeiro artista nipo-brasileiro a gravar rock na terra do coqueiro nascente. Kiite kudasai:

Yoko Abe - Be-Bop-A-Lula

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Outra óbvia é "A Festa Do Bolinha", composição de Roberto e Erasmo Carlos, lançada pelo Trio Esperança em 1965, com tamanho sucesso que o texto de contracapa de um LP coletânea de música brasileira patrocinado pela Varig e lançado na Alemanha (Papagaio - Bossa do Brasil) traduz o título para o inglês como "Bolinha's Party" e nem se lembra de que o personagem foi criado nos EUA pela cartunista Marjorie Buell! E, novamente longe do óbvio, apresento uma versão chilena, "La Fiesta De Tobi", com o grupo vocal Los 4 Hits acompanhado pelo conjunto instrumental Los Masters.

Los 4 Hits - La Fiesta De Tobi (A Festa Do Bolinha)

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Muitos acham que a bossa nova foi tão "cabeça" quanto a jovem guarda foi alienada. Para mim, ambas são irmãs quase gêmeas. Ambas eram fusões de música brasileira com estilos ianques, respectivamente o jazz e o pop-rock; ambas eram feitas por jovens que queriam aproveitar a vida; e ambas tinham seu lado moleque e infanto-juvenil. A jovem guarda cantava músicas sobre outros alguéns, Brucutu, Chapeuzinho Vermelho ("não ligue pra nenhum conselho") e Luluzinha? Pois a bossa nova cantava músicas sobre barquinhos e beijinhos, o pato que vinha cantando alegremente, Chapeuzinho Vermelho (às voltas com o "Lobo Bobo", lembra-se?) e... Luluzinha. Sim, a "Luluzinha Bossa Nova", composição da dupla Bôscoli & Menescal, lançada por Sônia Delfino em 1961.

Sônia Delfino - Luluzinha Bossa Nova

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Dos próprios EUA temos o tema da primeira versão do desenho animado, "Little Lulu Theme", composto por Buddy Kaye, Fred Wise (sim, autor de várias cançonetas gravadas por Elvis Presley) e Sidney Lippman, e que vamos ouvir em dois arranjos: o original de 1943 e uma versão jazz com o pianista Bill Evans, primeira faixa de seu primeiro LP para o selo Verve, acompanhado por Gary Peacock (contrabaixo) e Paul Motian (bateria) em 1964.

Original Theme - Little Lulu

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Bill Evans - Little Lulu

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Não esquecerei dos irmãos Meire e Albert Pavão e da dupla vocal da jovem guarda Os Vikings (mais uma conexão com a Turma da Mônica: Diógenes, um dos Vikings, faz a voz do elefante Jotalhão em desenhos e comerciais desta turma), que, ao lado de outros vocalistas e com a coordenação de Theotonio Pavão, pai de Albert e Meire, gravaram vários LPs infanto-juvenis com o nome Quarteto Peralta. Um deles (A Festa Do Bolinha, de 1977) é totalmente dedicado a Bolinha e sua turma, com faixas especiais para personagens como Vovô Fracolino, a Turma da Zona Norte e até aquela peste do Alvinho - sem falar no próprio Bolinha que conegue ser ainda mais peste quando toca violino (curioso é que no gibi antigo Bolinha toca violino por pressão dos pais, mas na versão "teen" ele é guitarrista por opção; só não sei se a qualidade melhorou). Aqui vai o LP inteiro, tomado de empréstimo a um excelente blog, Cantos e Encantos.

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Saturday, July 04, 2009

PÁRA! PÉRA! PIRAPORA PURA!

O copiraite deste título é meu, rerere, vou usá-lo em uma composição minha - e ele vem muito a propósito para eu lembrar das primeiras exposições deste ano do Arquivo do Rock Brasileiro, que serão em cidades do interior paulista, a começar por Pirapora do Bom Jesus, de 10 a 12 de julho, seguindo para Mairiporã de 17 a 19 de julho, Jacareí
de 24 a 26 de julho, Santo André em 30 de julho e 1 e 2 de agosto e São Caetano do Sul de 14 a 16 de agosto.

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Saturday, May 23, 2009

VIXE, COMO TEM ZÉ (RODRIX) NA MÚSICA BRASILEIRA

O título desta pequena homenagem ao grande Zé Rodrix parece-me adequado, lembrando que ele, embora carioca, era filho de um músico baiano. Zé era músico completo, incapaz de receber um rótulo só: roqueiro, MPBzeiro, jingleiro, arranjador, maestro, escritor...

Começaremos pelo começo: um maxixe de sua autoria (ainda assinando "José Rodriguez") como integrante do grupo Momento4uatro, gravação de 1967.

Momento4uatro - Glória

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Não, esta mensagem não inclui "Casa No Campo". Mas inclui outro grande sucesso de Zé, "Hoje Ainda É Dia De Rock", consagrado na interpretação de Sá, Rodrix & Guarabyra - mas lançado um ano antes quase em segredo pelo grupo Os Famks (sim, o futuro Roupa Nova).

Os Famks - Hoje Ainda É Dia De Rock

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A versatilidade de Zé não tinha limites, nem a de Sá e Guarabyra. Além de fazer sucesso com a ironicamente nostálgica "Zepelim", o trio compôs sob o mesmo tema a marcha "Cordão Do Zepelim", lançada por Nara Leão em 1972.

Nara Leão - Cordão Do Zepelim

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Zé se revelou um dos maiores "hitmakers" de sua geração - e até de todas as outras. Quem lembrou de sua composição "Gerações", para uma telenovela dos anos 1970, deve ter se lembrado também de seus muitos temas novelísticos de sucesso - e náo só da Globo, como atesta "João Corisco", que SR&G compuseram e interpretaram para a novela Jerônimo, O Herói Do Sertão da TV Tupi em 1972 (a trilha tem mais gravações e composições de SR&G que se tornaram raras e merecem ser reeditadas condignamente quando nossas grandes gravadoras mudarem, ou seja, melhorarem, mas isso já é outra novela).

Sá, Rodrix & Guarabyra - João Corisco

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Falamos sobre composições que seguem o mesmo tema. Pois bem, agora vou falar um pouco em "bloguês". Ontem estive no altamente recomendável sebo Big Papa (na Galeria Nova Barão, fone 11 3237-0176), comandado por Carlos e Kátia, talvez o casal mais simpático do mundo do disco desde Zé & Júlia da Nuvem Nove. Um dos assuntos de ontem foi o passamento de Zé Rodrix, e Carlos, que residiu em Cuba, contou-me da surpresa ao chegar ao Brasil e ouvir um dos grandes sucessos de Zé, "Quando Será". "Essa música fez sucesso lá em Cuba com Willie Colon!", Carlos comentou. Chegando em casa, dei uma googlada e descobri: Carlos se referia a "El Dia De Mi Suerte", composição de Colon em parceria com Hector Lavoe e lançada por Colon em 1973. Náo foi propriamente um plágio; Zé e Colon desenvolveram a mesma idéia em clima de "latinidad", mas com melodias diferentes. Confira:

Willie Colon - El Dia De Mi Suerte

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E ninguém pense que Zé ficou preso aos anos 1970. Ele seguiu ativo e criativo; inclusive, no terceiro milênio, tornou-se curador do Clube Caiubi de Compositores, formando com alguns integrantes o grupo Os Tropeçalistas (que gravaram um CD) e compondo com um dos diretores do Clube, o emérito Sonekka, uma das melhores composições de ambos: "Nunca Senti Tanto Medo De Ser Feliz", da qual aqui vai um vídeo ao vivo, cantado por Sonekka e Bárbara Rodrix, filha de Zé.

Sonekka e Bárbara Rodrix - Nunca Senti Tanto Medo De Ser Feliz

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Monday, February 16, 2009

ELES TAMBÉM GRAVARAM ROCK - PARTE 1

Após a primeira leva de minha pesquisa Eles Também Gravaram MPB, aqui vai o outro lado da moeda: artistas de MPB mais castiça ou profissionais de rádio, cinema etc. que se aventuraram pelo rock and roll.

Talvez o disco mais incomum (além de um dos mais raros) de todo o cânone dos Demônios da Garoa seja um 78 RPM para a Philips somente de baladas-rock em 1963. Um dos lados é a famosa "Quando Calienta El Sol", em versão de Arnaldo Rosa, o vocalista dos Demônios: "Ao Nascer Do Sol".

Os Demônios da Garoa - Ao Nascer Do Sol (Cuando Calienta El Sol)

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Neyde Fraga foi grande intérprete pop, não só de sambas e marchas, mas também versões de pop não-rock estrangeiro como a valsinha "Hi-Lili-Hi-Lo" e, neste caso, "Estúpido Cupido", a convite da Continental, para aproveitar o grande sucesso da gravação de Celly Campello (há exatos 50 anos, o tempo passa) na Odeon.

Neyde Fraga - Estúpido Cupido (Stupid Cupid)

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Sérgio Ricardo não é apenas grande nome da bossa nova, saindo-se bem também em outros gêneros como samba, toada e até neste rock com balanço latino, "Aleluia", com o qual inclusive ganhou um festival na Bulgária em 1968.

Sérgio Ricardo - Aleluia

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Luiz Claudio é outro artista eclético que brilhou na bossa nova mas merece ser ouvido também ao interpretar gêneros diversos, como canção sertaneja e este rock-cha-cha-chá, uma versão de "Venus" (de Ed Marshall e sucesso mundial com Frankie Avalon nada menos de duas vezes, em 1959 e numa versão discothèque nos anos 1970). Notem que esta versão menciona uma "namoradinha de um amigo meu", mote que um dia iria fazer sucesso com outro jovem cantor que iniciava sua discografia naquele mesmo ano de 1959.

Luiz Claudio - Vênus (Venus)

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Antes que alguém grite ou digite "Toca Raul", apresentaremos as Irmãs Galvão (anos antes de passarem a se apresentar como As Galvão) com um belo arranjo pop-sertanejo para "Tente Outra Vez", de 1992.

Irmãs Galvão - Tente Outra Vez

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And now... the Brazil-recorded rock recording everybody's been waiting for! É por ele mesmo, Tom Jobim, com seu arranjo para a balada "O Trem Azul" do Clube da Esquina, no álbum Cais, tributo de vários artistas a Ronaldo Bastos lançado há exatos 20 anos, em 1989.

Tom Jobim - O Trem Azul

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Monday, December 29, 2008

E VIVA O FU-TURO!

Ontem assisti a um show do Pato Fu no SESC-Pompéia. Muito bom, e com uma surpresa adicional: participação de novo integrante em todos os sentidos. Sim, refiro-me a Nina, filha de Fernanda Takai e John Ulhôa, que deu uma "canja" não ensaiada no final em "Mamã Papá". ("Novo integrante" pode ser no momento exagero meu, mas "daqui pro futuro" nunca se sabe.)

Para quem ainda não sabe, eu e o Pato Fu somos fãs mùtuos. John e Fernanda participam do novo disco (a sair, calma!) de meu grupo TONQ (uma pré-mixagem pode ser ouvida aqui: http://www.japao100.com.br/blog_redacao/2008/03/07/ye-ye-shonen-ye-ye-shojo/ ) - sem falar nos samplers de dois de meus quase-sucessos, "Maneta" e "O Homem Da Minha Vida", na versão completa de "Capetão 66.6" (no show de ontem tocaram uma versão curta). E toquei com o Pato Fu no programa Carnaval Legal da MTV em 1995; convidaram-me para tocar cavaquinho e ajudar a escolher um sucesso momesco para interpretarmos; escolheram o samba "Maria Boa" de Assis Valente, sucesso com o Bando da Lua e, décadas depois, Maria Alcina. Além deste que vos escreve ao cavaco, tivemos Fernanda ao vocal, John ao surdo, Xande Zamietti na caixa e Ricardo Koctus no contrabaixo. E aqui vai um registro (perdoem a qualidade sonora) do ensaio que fizemos em casa alguns dias antes da gravação do programa.

Pato Fu com Ayrton Mugnaini Jr. - Maria Boa (Assis Valente)

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Tuesday, March 15, 2005

CELLY CAMPELLO PARA TODAS AS IDADES

Desculpem-me se ainda estou para acertar a fórmula bloguística, embora eu pessoalmente procure fugir dos estilos "tem evento tal dia tal no local tal, evento tal dia tal no local tal e evento tal dia tal no local tal" e "hoje sou obrigado a contrariar meu amigo Muito Famoso porque acordei com vontade de comer goiaba e ele prefere tamarindo". Tentarei não ser verborrágico nem sucinto demais, nem omisso nem opinioneiro. Bem, chega de falar sobre falação e vamos em frente.

Meu filho Ivo, com seus três anos de idade, já conhece o rockzinho dos anos 1950 "Heartaches At Sweet Sixteen" - para ele "iaiaiá", conforme o refrão. Depois mostrei a ele a versão que Celly Campello gravou, "Broto Já Sabe Chorar". Resultado: quando coloquei a gravação original, ele gritou "Não, eu quero o OUTRO iaiaiá!", referindo-se à gravação de Celly. Comentei isto ontem com Tony Campello e ele disse: "É, estes dias eu assisti à TV Cultura e num programa, não lembro qual, tocaram uma gravação inteira da Celly. Ela sempre teve e ainda tem muito apelo para o público infantil, a EMI [gravadora onde Celly teve seus maiores sucessos] nem sabe a mina de ouro que tem." Que o diga este que vos escreve, cuja formação musical na primeiríssima infância incluiu o primeiro compacto-duplo de Celly, aquele de capa amarela ainda em 45 RPM que inclui "Estúpido Cupido".

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