Saturday, May 09, 2020

TEXTOS COM TECLA SAP: "TOUJOURS TRISTESSE" DE JEAN KERR



First in Portuguese and then in English:
Desta vez exercitarei meus dotes tradutivos a serviço da escritora estadunidense Jean Kerr (1922/2003), mestra do bom humor e infelizmente ainda um tanto desconhecida no Brasil. Eu a descobri no início deste século, quando fui encontrado num sebo por um exemplar de seu livro Please Don’t Eat The Daisies. Li, gostei e googlei para mais detalhes, descobrindo que o livro é de minha safra, 1957, e foi um tremendo best-seller nos EUA, chegando a inspirar um filme estrelando Doris Day e David Niven e uma série de televisão. O filme, de 1960, foi exibido aqui (com título Já Fomos Tão Felizes) mas o livro não foi traduzido no Brasil, país onde de Jane Kerr se conhece pouco além da peça Mary, Mary, estreada em 1961 – o maior sucesso não musical da Broadway nos anos 1960 – e encenada aqui em 1963, traduzida por Millôr Fernandes (tão bom tradutor que, como dizia o Casseta & Planeta, traduzia até Paulo Francis em sua fase autocaricatural, os anos 1980 e 1990, para o português) e estrelando Fernanda Montenegro e Leonardo Villar, também com sucesso.
Correio da Manhã, 26 de novembro de 1963.
Please Don’t Eat The Daisies é uma coletânea de textos publicados de 1954 e 1957, em sua maioria baseados na vida real de Jean Kerr, casada com um dramaturgo e mãe de quatro filhos, dois dos quais gêmeos, além de sátiras a outros gêneros, como romance policial (“Don Brown’s Body”) e o existencialismo (“Toujours Tristesse”). Algumas amostras:
Dedicatória: “À pessoa minha crítica mais rigorosa.”
“Não se pode dormir até o meio-dia com prazer exceto se houver um motivo real para ficar de pé até as três (festas não contam).”
“Um(a) crítico(a) de teatro leva uma vida ideal, ou levaria, se não tivesse de assistir a tantas peças.”
“Eu e meu marido tomamos muito cuidado com nossos filhos. Eles nunca irão precisar pagar psiquiatra para saber por que nós os rejeitamos. Nós vamos contar a eles por que os rejeitamos. É porque eles são impossíveis.”
“Eu ainda estava na cabine telefônica quando o telefone tocou. Intuitivamente, atendi. Era o assassino. Ele riu de mim. Só isso. Riu de mim. Então deixei de ser um homem. Virei uma coisa feia. Tive vontade de pegar o crânio dele com as duas mãos e esmagá-lo como se fosse um melão. Quis bater naquela cara como se fosse uma omelete. Quis bater nele até seu sangue escorrer escuro como café. Foi aí que eu me toquei: desde que acordei eu ainda não tinha comido nada.”
O primeiro texto (sim, gostei tanto do livro que trarei outros textos) é “Toujours Tristesse”, sátira ao rebelde e pirracento existencialismo francês a partir do romance Un Certain Sourire de Françoise Sagan (1935/2004), lançado em 1956 e traduzido no Brasil (Um Certo Sorriso) – sim, o titulo satiriza o mais conhecido livro de Sagan, Bom Dia, Tristeza.
TODO DIA TRISTEZA

após ler Um Certo Sorriso de Françoise Sagan

Jean Kerr

Tradução de Ayrton Mugnaini Jr.

Eu estava esperando Banal. Eu me sentia um pouco entediada. Era um dia de verão como qualquer outro, exceto pelo granizo. Atravessei a rua. De repente, fiquei muito feliz, tive uma intuição avassaladora de que um dia eu estaria morta. Estes olhos grandes, este corpo de criança magrela haveriam de ser entregues à doce Terra. Tudo falava disso: o corrupio solitário de um pombo sozinho no céu, o imponente bong bong bong dos sinos da catedral, a buzina estridente do ônibus que roçou minha coxa.

Entrei no café, mas Banal estava atrasado. Fiquei feliz ao perceber que esse simples fato me irritava.

Banal e eu éramos colegas de classe. Nossos olhos se encontraram, nossos corpos se encontraram, e então alguém nos apresentou. Agora ele era minha propriedade, e eu conhecia cada centímetro daquele corpo marrom tão bem quanto você conhece a própria entrada de sua casa.

Um estranho do outro lado do banco falou.

"Monique, o que é que você está olhando, menina boba?"

Era Banal. Curioso eu não o ter reconhecido. De repente eu percebi o porquê. Um olhar revoltante de alegria torcia e distorcia aqueles jovens e amados traços até parecer que ele estava realmente sorrindo.

Eu não conseguia olhar. Virei minha cabeça, mas sua voz me seguiu, humildemente e à distância como um Cocker Spaniel.

"Monique, por que você matou a aula? Estudámos a Crítica da Razão Pura. Foi interessante, mas acho que Kant proporciona uma falsa dicotomia. A única solução viável é fornecer uma síntese pela qual a experiência esteja impregnada de racionalidade e a razão esteja ordenada para dados empíricos ".

Só mesmo Banal para dizer assim o óbvio. Às vezes, sentada ouvindo Banal e seus companheiros trocarem petulâncias, eu sentia o tédio crescer e inchar dentro de mim quase como se eu tivesse engolido uma bola de praia.

Por que precisamos conversar sem proveito e sem fim sobre filosofia e política? Confesso que só me interesso por perguntas que tocam o coração de outro ser humano, "Com quem você está indo pra cama?"; "O que você toma para alívio imediato quando tem indigestão?"

A voz de Banal soava como um coro de cigarras num dia quente até que finalmente apareceu uma declaração que eu não podia ignorar.

"Monique, quero que conheça meu avô, Anatole. Meu avô rico."

Um homem pequeno e curvado veio em minha direção. Ele não era mais de meia-idade, mas gostei. Eu estava tão cansada desses garotos ansiosos de cinquenta anos. Seu cabelo, branco esverdeado, poderia chegar a ser desagradável se dele houvesse mais. Enquanto ele sorria gentilmente, mostrando seus dentes pequenos, uniformes e escuros, pensei: "Ah, ele é do tipo que é louco por garotinhas". De fato, eu não tinha lido em algum lugar que ele tinha tido algum problema com a polícia?

Mas agora, quando seus olhos opacos olhavam diretamente nos meus e eu o notei batendo de leve com um fósforo na toalha de mesa, percebi com uma repentina pontada de alegria que finalmente havia encontrado um homem tão entediado quanto eu.

E, no entanto, lembrei-me muito bem, enquanto meu coração voltava à Terra, isso não vai durar. Isso não pode durar. Ele nem sempre estará entediado.

Então Banal falou, do seu jeito infantil.

"Vocês acreditam que Monique nunca viu o mar?"

Então uma mulher falou. Esposa de Anatole. Ela estava sentada ao lado dele, mas eu não a havia notado porque ela estava usando um vestido marrom que se fundia com a parede da cabine. Sua voz era quente, como uma carícia.

“Mas é horrível que essa pobre criança nunca tenha visto o mar. Anatole, querido, você precisa levá-la ao nosso pequeno chatô à beira-mar. Não poderei ir porque estou redecorando a casa da cidade. Há muita comida na geladeira, e Monique poderá ver o oceano a partir do quarto. Aqui estão as chaves.”

Isso me fez gostar dela.

Daí o casal foi embora. Dorette, pois esse era o nome da esposa de Anatole, havia esquecido suas luvas, e admito que senti uma pontada de ciúmes ao notar o jeito íntimo como Anatole as jogou para ela.

Então Banal e eu ficámos a sós. Como eu suspeitava, Banal estava tempestuoso e cheio de suspeitas. Como eu o odiava quando ele ficava assim. Ele continuou me perguntando repetidamente: "Tem certeza, Monique, tem mesmo certeza de nunca ter visto o mar?"

Mas quando eu lhe assegurei, o que era verdade, que eu nunca tinha, ele pareceu consolado e tornou-se mais uma vez o jovem ensolarado, sorridente e bonito que eu achava tão repulsivo.

Estávamos no carro aberto de Anatole. No céu, o céu estava azul como uma contusão.

A estrada branca e reluzente deslizando sob nossas rodas parecia uma fita de algodão doce. Quando percebi que estávamos nos aproximando do chatô, meu coração deu uma pirueta, rápida e ordenadamente, como uma panqueca na chapa. 

A voz de Anatole parecia vir de uma grande distância. 

"Entediada, querida?" 

Eu me virei para ele. 

"Claro, e você?"

Seu sorriso de resposta me disse que sim.

E agora estávamos subindo os longos degraus para o castelo de mãos dadas como duas crianças felizes, parando apenas quando Anatole tinha que recuperar o fôlego. 

Na porta, ele parou e me pegou em seus braços. Sua voz, quando falou, era como uma melodia tocada docemente e afinada. 

“Minha querida", disse ele, “espero ter deixado perfeitamente claro que, no que me diz respeito, você é apenas mais uma conquista."

"Claro", sussurrei. Quão adulto ele era, e quão indescritivelmente querido. 

Então os dias dourados passaram. Na maior parte do tempo, ficávamos em silêncio, mas de vez em quando nos sentávamos ao crepúsculo e conversávamos melancolicamente sobre Dorette e Banal e que idiotas ele e ela eram.

E quem poderia descrever aquelas noites? Nunca em meu relacionamento com Banal senti algo assim. Ah, como é gratificante repartir a cama com um homem realmente maduro. Havia, por exemplo, o ruído e a excitação quatro vezes por noite, quando ele pulava da cama e pisava o chão, num esforço para manter ativa a circulação. Meu apelidinho carinhoso para ele era Pisador.

O último dia amanheceu frio e brilhante como uma estrela. Anatole estava me esperando no carro, então arrumei meus poucos pertences, passei uma lixa de unha nos meus cachos e me juntei a ele. 

O que posso dizer da dor daquele passeio de volta a Paris? Num certo sentido, eu e ele estávamos exatamente sentindo o mesmo tédio de sempre. No entanto, desta vez, não era um tédio compartilhado.

Parámos na porta de minha casa e aí veio o golpe.

"Monique", disse ele, "minha pequena. Fiquei entediado com você. Ninguém pode tirar isso de nós. Mas a verdade é que, e sei como isso vai te magoar, fico ainda mais entediado com minha esposa. Vou voltar para ela. " 

Ele se foi. Fiquei sozinha. Sozinha, sozinha, sozinha. Eu era uma mulher que amava um homem. Essa era uma história simples, até prosaica. Mas eu sabia que, de algum modo, ela iria me render um livro.

And now the English version:
This time I will exercise my translating skills at the service of USA writer Jean Kerr (1922/2003), a master of good humour and unfortunately still somewhat unknown in Brazil. I discovered her at the beginning of this century, when I was found in a second-hand book store by a copy of her Please Don’t Eat The Daisies book. I read it, liked it and googleed for more details, discovering that the book is from my vintage, 1957, and it was a tremendous bestseller in the USA, even inspiring a film starring Doris Day and David Niven and a television series. The 1960 film was shown here but the book was not translated in Brazil, where Jane Kerr is scarcely known beyond the play Mary, Mary, premiered in 1961 - Broadway's greatest non-musical success in the 1960s - and staged here in 1963, starring Fernanda Montenegro and Leonardo Villar, also successfully.

Please Don't Eat The Daisies is a collection of short stories published in various magazines from 1954 and 1957, mostly based on Jean Kerr’s true life, married to a playwright and mother of four, two of whom are twins, and satires to other genres, like detective novels (“Don Brown's Body”) and existentialism (“Toujours Tristesse”). Here are some samples from all over the book:
Dedication: “For my severest critic”

“you can't sleep until noon with the proper élan unless you have some legitimate reason for staying up until three (parties don't count).”

“a drama critic leads an ideal existence, or would if he didn't have to see so many plays.”

“We are being very careful with our children. They'll never have to pay a psychiatrist twenty-five dollars an hour to find out why we rejected them, We’ll tell them why we rejected them. Because they're impossible, that's why.”

“I was still in the booth when the phone rang. On a hunch, I answered It. It was the killer. He laughed at me. That was all. Laughed at me. I was no longer a man, I was an ugly thing. I wanted to get his skull between my hands and crack it like a cantaloupe. I wanted to scramble that face like a plate of eggs. I wanted to work him over till his blood ran the color of coffee. That's when it came to me: I hadn't had any breakfast.”

The first story I bring (yes, I liked the book so much that I will bring others) is “Toujours Tristesse”, a satire on French rebel and petulant existentialism from the Un Certain Sourire novel by Françoise Sagan (1935/2004), released in 1956 and translated in the USA as A Certain Smile – of course, the title lampoons Sagan’s most famous book, Bonjour Tristesse.

Illustration by Carl Rose from the book
TOUJOURS TRISTESSE
after reading A Certain Smile by Françoise Sagan
Jean Kerr
I was waiting for Banal. I was feeling rather bored. It was a summer day like any other, except for the hail. I crossed the street. Suddenly I was wildly happy, I had an overwhelming intuition that one day I would be dead. These large eyes, this bony child's body would be consigned to the sweet earth. Everything spoke of it: the lonely cooing of a solitary pigeon overhead, the stately bong bong bong of the cathedral chimes, the loud horn of the motorbus that grazed my thigh.
I slipped into the café but Banal was late. I was pleased to notice that that simple fact annoyed me.
Banal and I were classmates. Our eyes had met, our bodies had met, and then someone introduced us. Now he was my property, and I knew every inch of that brown body the way you know your own driveway.
A stranger across the booth spoke.
"Monique, what are you staring at, silly girl?"
It was Banal. Curious that I hadn't recognized him. Suddenly I knew why. A revolting look of cheerfulness had twisted and distorted those dear young features until he seemed actually to be smiling.
I couldn't look. I turned my head, but his voice followed me, humbly and at a distance like a spaniel.
"Monique, why did you skip class? We were studying the Critique of Pure Reason. It was interesting, but I think Kant offers a false dichotomy. The only viable solution is to provide a synthesis in which experience is impregnated with rationality and reason is ordained to empirical data."
How like Banal to say the obvious. Sometimes as I sat and listened to Banal and his companions trade flippancies, I could feel the boredom grow and swell within me almost as if I had swallowed a beach ball.
Why must we chatter fruitlessly and endlessly about philosophy and politics? I confess that I am only interested in questions that touch the heart of another human being "Who are you sleeping with?"; "What do you take for quick relief from acid indigestion?".
Banal's voice droned on like a chorus of cicadas on a hot day until finally there was a statement I couldn't ignore.
"Monique, I want you to meet my grandfather, Anatole. My rich grandfather."
A slight, stooped man came toward me. He was no longer middle-aged, but I liked that. I was so tired of these eager boys of fifty. His hair, which was greenish white, might have been unpleasant had there been more of it. As he smiled gently, showing his small, even, ecru teeth, I thought, "Ah, he's the type that's mad for little girls." In fact, hadn't I read that he'd had some trouble with the police?
But now, as his dull eyes looked directly into mine and I noticed him idly striking a match on the tablecloth, I realized with a sudden stab of joy that finally I had met a man who was as bored as I was.
And yet, I reminded myself firmly as my heart slid back to earth, this won't last. It can't last. He won't always be this bored. 
Now Banal was speaking, in his infantile way.
"Do you know Monique has never seen the sea?" 
Then a woman spoke. Anatole's wife. She was sitting beside him but I hadn't noticed her because she was wearing a brown dress and blended into the back of the booth. Her voice was warm, like a caress.
"Why, that's awful that this poor child has never seen the sea. Anatole, darling, you must take her to our little chateau by the ocean. I won't be able to come because I'm redecorating the town house. But there is plenty of food in the frigidaire, and Monique will be able to see the ocean from the bedroom. Here are the keys.” 
I liked her for that.
Then they were leaving. Dorette, for that was Anatole's wife's name, had forgotten her gloves, and I admit I felt a pang of jealousy as I noticed the intimate way that Anatole threw them to her. 
Now Banal and I were alone. As I suspected, Banal was stormy and full of suspicion. How I hated him when he got this way. He kept asking me, again and again: "Are you sure, Monique, are you really sure that you have never seen the sea?"
But when I assured him, what was the truth, that I never had, he seemed comforted and became once more the sunny, smiling, handsome young man I found so repellent. 
We were in Anatole's open car. Overhead the sky was blue as a bruise.
The gleaming white road slipping under our wheels seemed like a ribbon of cotton candy. As I realized we were nearing the chateau, my heart turned over once, quickly and neatly, like a pancake on a griddle. 
Anatole's voice seemed to come from a great distance.
"Bored, darling?" 
I turned to him.
"Of course, and you?” 
His answering smile told me that he was.
And now we were running up the long flight of steps to the chateau hand in hand like two happy children, stopping only when Anatole had to recover his wind. 
At the doorway he paused and gathered me into his arms. His voice, when he spoke, was like a melody pkyed sweetly and in tune. 
*My darling", he said, “I hope I have made it perfectly dear that so far as I am concerned you are just another pickup."
"Of course", I whispered. How adult he was, and how indescribably dear. 
So the golden days passed. Mostly we were silent, but occasionally we sat in the twilight and spoke wistfully of Dorette and Banal and what suckers they were.
And who could describe those nights? Never in my relationship with Banal had I felt anything like this. Ah, how rewarding it is to share the bed of a really mature man. For one thing, there was the clatter and the excitement four times a night as he leaped to the floor and stamped on his feet in an effort to get the circulation going. My little pet name for him, now, was Thumper. 
The last day dawned cold and bright as a star. Anatole was waiting for me out in the car, so I packed my few belongings, ran a nail file through my curls, and joined him.
What shall I say of the pain of that ride back to Paris? In one sense, we were, both of us, precisely as weary as ever. Yet for the first time it wasn't a shared weariness.
We pulled up to my front door, and then the blow fell.
“Monique”, he said, "little one. I have been bored with you. Nobody can take that away from us. But the truth is, and I know how this will hurt you, I am even more bored with my wife. I'm going back to her." 
He was gone. I was alone. Alone, alone, alone. I was a woman who had loved a man. It was a simple story, prosaic even. And yet somehow I knew I could get a novel out of it.


Tuesday, May 05, 2020

TEXTOS COM TECLA SAP: "DILMA DE OLHOS NO CHÃO" DE ALDIR BLANC




First the English version, then the Portuguese one.

My first post on this blog in the coronavirus era (I hope they will be few, not because I produce less, which doesn't happen, but because I hope this era will end soon) honours one of his casualties: lyricist and writer Aldir Blanc. Here's one of his many beautiful short stories for O Pasquim newspaper, published in issue 355, on the 16th of April, 1976, and a good-humoured attack on machismo and submission; this and other short stories by Aldir Blanc were reunited in the book Rua Dos Artistas E Arredores ("Artist Street And Thereabouts"), published in 1978. (No, this short story's Dilma has nothing to do with the famous wind-stocking politician.)

DILMA WITH HER EYES ON THE FLOOR
Aldir Blanc
English translation by Ayrton Mugnaini Jr.

Fragoso had the cinema-like security of falsely virtuous people. His exaggerated concern for elegance led him to iron his linen suit so much that he couldn't even walk straight. His friend Penteado, a tremendous joker, was always merciless:

- Jacket even harder than the proverbial wooden suit!

But Fragoso pretended he didn't hear any of that. He fixed an imaginary fault in his tie knot and showed an affected giggle, just off the left corner of his mouth.

Very unsympathetic, often provoked unfavourable comments:

- His little mouth is worthy of a hard punch!

- Well dressed... Perfumed... I don't know... For me, this guy is a pansy of sorts.

Not so. Fragoso was no sissy. Stuck-up, arrogant, that's what he was. That type of guy who thinks he is the BIGGEST, and works for a BIGGER house, a BIGGER car, a BIGGER vacation, and ends his life in an infirmary, arguing with his bedside neighbour about which one has the BIGGEST tumour.

Dilma, on the other hand, was simplicity incarnated: she worked all day, a scarf on her head, shabby slippers. Fragoso, rascal that he was, justified thus:

- What do I need a housemaid for? Dilma loves housekeeping. She finds it fun. Right, my angel?

Dilma agreed, with her eyes on the floor.

The other Artist Street dwellers commented that Dilma's sadness was due to Fragoso's lack of respect. Always very full of himself, he came home late, his voice sweetened by passion-fruit-laced beverage, a rose of lipstick on his lapel. Dilma, her eyes on the floor, asked quietly:

- Want dinner?

She was humiliated.

- I’ve had dinner already.

And he shouted from the bathroom:

- A man like me has to have dinner out every now and then.

Dilma, with her eyes on the floor, listened to the strong spurt of urine and felt very helpless.

If she went to the fortune teller, she heard, sure enough:

- I see a brunette woman.

The following week, he returned, a thread of hope crumpled within the lace scarf:

- I see a blonde woman.

As soon as she came back home, he saw the letter on the floor.

When she answered the phone, disguised voices whispered:

- Your husband has another woman at the Engenho Novo district.

- Here is a friend who doesn't want to see you playing this role.

Neighbours gave advice:

- Put on a decent attire! Treat yourself right, woman!

- Stop being a fool! Get yourself another man too!

Dilma, with her eyes on the floor, felt a frightening certainty increase: no one understood anything at all.

Once, out of curiosity rather than hope, she went to a spiritualist centre at the Pereira Nunes district where Heronda was acting as a medium. As soon as she entered, a pomba-gira spirit whistled and, Heronda, shouting, pointed her crooked finger to Dilma:

- Thorn apple! Your cakes shall always rise!

She wrote to the Ladies' Yearbook asking for help. Famous columnist Colette replied in an unforgettable way:

"Consummation by fire is not destruction but transformation. Trust and wait."

In gratitude, Dilma revealed to the Yearbook her secret recipe for orange spongy cake. A most fêted delicacy, not even my grandmother Noemia dared to compete with Dilma. So much so that, on that Easter Sunday, Dilma came to the monumental meeting with her spongy cake:

- It's for the kids.

- You shouldn't have bothered, dear.

Everyone noticed Fragoso's absence, but nobody said a thing. Dilma herself, with her eyes on the floor, explained quietly.

- He went to see a sick uncle at Belford Roxo.

About five o’clock in the afternoon, everyone was in the yard talking about guava, football, everything, the most lively chat, when Fragoso appeared. He was undoubtedly drunk, stiff in his starched linen suit, with that meticulous gestures of someone very inebriated. He didn’t even address his wife. Soon he was filling a glass of beer without foam, while saying:

- Today they told me a good joke... Do you keep the one about the parrot that hid in the toilet? Ha, ha... There was a parrot that was crossed with his owner because she always left him out in the cold. Then he... AAATCHOOOO!

Still laughing at the effect he thought the joke would have, Fragoso, rather wobbly, reached into his jacket pocket, took out a woman's panties and blew his nose vigorously on the delicate underwear. There was a silence that rang in the ears. Fragoso, when he realised his blunder, he laughed and, with the greatest cynicism, said to Dilma:

- Do you know what happened, my angel?... I couldn't find a handkerchief when I left home and, so as not to wake you up, I took the first thing that...

The beer bottle hit the left corner of the mouth, right on that giggle, and there were shards of teeth, blood and broken glass everywhere.

Later, Dilma, with her eyes on the floor, spoke quietly as always to my grandmother:

- What I put up with no one else would put up with... You know... But to say that I don't do my job was way too much. The wardrobe’s drawer is always full of clean and ironed handkerchiefs. You can go and see for yourself.

***

Agora em português:

Minha primeira publicação neste blogue na era do coronavírus (espero que sejam poucas, não por eu produzir menos, o que não ocorre, mas sim porque espero que esta era termine logo) homenageia uma de suas vítimas fatais: o letrista e escritor Aldir Blanc. Aqui vai uma das muitas e belas de suas crônicas para o jornal O Pasquim, publicada na edição 355, de 16 de abril de 1976, e uma bem-humorada critica ao machismo e à submissão; esta e outras crônicas de Aldir Blanc foram reunidas na coletânea Rua Dos Artistas E Arredores, publicada em 1978. (Não, a Dilma desta crônica nada tem a ver com a famosa política estocadora de vento.)



DILMA DE OLHOS NO CHÃO
Aldir Blanc

Fragoso tinha a cinematográfica segurança das pessoas falsamente virtuosas. Sua exagerada preocupação com a elegância levava-o a engomar tanto o terno de linho que nem dava pra andar direito. Penteado, tremendo gozador, não perdoava:

- Paletó mais duro que esse só o de madeira!

Mas o Fragoso não se dava por achado. Ajeitava um imaginário defeito no nó da gravata e exibia um risinho afetado, só no canto esquerdo da boca.

Bastante antipático, não raro provocava comentários desfavoráveis:

- Ô boquinha boa pra sentar um murro!

- Arrumadinho. . . Perfumado... Sei não... Pra mim, esse cara é chegado a um quibe cru.

Exagero. Fragoso não tinha nada de boneca. Era metido a besta, isso sim. Desse tipo de cara que se acha o MAIOR, e trabalha por uma casa MAIOR, um carro MAIOR, um período de férias MAIOR, e termina a vida numa enfermaria, discutindo com o vizinho de leito quem é que tem o câncer MAIOR.

Já a Dilma era uma simplicidade: trabalhava o dia todo, pano na cabeça, chinelinho surrado. O calhorda do Fragoso justificava:

- Empregada pra quê? Dilma adora o serviço de casa. Pra ela é diversão. Né, meu anjo?

Dilma concordava, de olhos no chão.

As comadres da Rua dos Artistas comentavam que a tristeza da Dilma era pela falta de respeito do Fragoso. Prosa como ele só, chegava em casa tarde, a voz adocicada pelas batidas de maracujá, uma rosa de batom na lapela. Dilma, de olhos no chão, perguntava baixinho:

- Quer jantar?

Era humilhada.

- Já comi.

E gritava do banheiro:

- Um homem como eu tem que comer fora de vez em quando.

Dilma, de olhos no chão, escutava o jorro forte da urina e sentia um grande desamparo.
Se ia na cartomante, era batata:

- Vejo uma mulher morena.

Na semana seguinte, voltava, um fio de esperança amassado no lencinho de renda:

- Vejo uma mulher loura.

Mal entrava em casa, via a carta no chão.

Se atendia o telefone, vozes disfarçadas sussurravam:

- Teu marido tem outra no Engenho Novo.

- Aqui é uma amiga que não quer te ver fazendo esse papel.

Vizinhas davam conselhos:

- Bota uma roupa decente! Te trata, mulher!

- Deixa de ser boba! Arranja um você também!

Dilma, de olhos no chão, sentia aumentar uma certeza assustadora: ninguém compreendia nada de nada.

Uma vez, mais por curiosidade do que por esperança, foi a um centro na Pereira Nunes onde a Heronda se desenvolvia. Assim que entrou, uma pomba-gira deu de assobiar, e, gritando, apontava em sua direção o dedo torto:

- Figueira do diabo! Tu nunca vai fazer bolo solado!

Escreveu para o Anuário das Senhoras pedindo auxílio. A famosa Colette respondeu de forma inesquecível:

"A consumação pelo fogo não representa destruição e sim transformação. Confie e espere".

Em agradecimento, Dilma revelou ao Anuário sua receita secreta de pão-de-ló de laranja. Doce festejadíssimo, nem mesmo minha avó Noêmia se atrevia a competir com a Dilma. Tanto assim que, naquele domingo de Páscoa, Dilma veio para o monumental cozido munida do seu pão-de-ló:

- É pras crianças.

- Não precisava se incomodar, querida.

Todo mundo reparou na ausência do Fragoso, mas ninguém disse bulhufas. A própria Dilma, de olhos no chão, explicou baixinho.

- Foi ver um tio doente em Belford Roxo.

Lá pelas cinco da tarde, tava todo mundo no quintal falando de goiaba, futebol, o maior papo, quando surgiu o Fragoso. Vinha indiscutivelmente bêbado, duro dentro do terno de linho engomado, com aquela meticulosidade de gestos de quem tá com a cisterna cheia. Nem se dirigiu à esposa. Foi logo enchendo cuidadosamente um copo de cerveja sem espuma, enquanto dizia:

- Hoje me contaram uma boa. . . Cês manjam a do papagaio que se escondeu na privada? He, he... Tinha um papagaio que tava por conta com a dona que deixava ele no sereno. Aí, ele fez o seguinte... AAATCHIMMMMM!

Ainda rindo do efeito que a piada causaria, Fragoso, meio bambo, meteu a mão no bolso do paletó, tirou de lá uma calcinha de mulher e assoou vigorosamente o nariz na delicada peça íntima. Fez-se um silêncio que chegava a zunir nos ouvidos. Fragoso, quando viu a mancada, armou seu risinho afetado e, com o maior cinismo, disse pra Dilma:

- Sabe o que foi, meu anjo?... Não achei lenço na hora de sair e, pra não te acordar, peguei a primeira coisa que...

A garrafa de cerveja acertou bem no cantinho esquerdo da boca, bem no risinho e foi pedaço de dente, sangue e caco de vidro pra todo lado.

Mais tarde, Dilma, de olhos no chão, falava baixinho como sempre pra minha vó:

- O que eu aturei ninguém aturava... A senhora sabe... Mas dizer que eu não faço o meu trabalho, isso não. A gaveta do camiseiro tá cheia de lenço limpo passado a ferro. A senhora pode ir lá ver.

Wednesday, April 08, 2020

RESENHAS COM TECLA SAP/REVIEWS WITH THE SAP BUTTON: THE MASKED MARAUDERS



First, the English version:



Rock music. Country rock. Beatles, Rolling Stones & Bob Dylan. Supergroups & supersessions. The “me” solo-career age. Comedy music, novelty records & good humour. Rock journalism. The music business. Bootleg albums. Rumours, hearsay & gullibility. If you are interested in at least one or two of these subjects, then here’s another subject of great interest for you – the non-group The Masked Marauders. You may have read and heard about them, but I think I have something new to add; read on and see what you think.

It was 1969, one of the landmark years in rock music, what with Woodstock and other great festivals; Tommy, Arthur, Hair! and other “rock operas”; Bob Dylan’s Great White Wonder exploding as the first widely-promoted rock bootleg album; Dylan and the Stones helping pioneering country-rock with Nashville Skyline and Beggar’s Banquet; glorified rock & blues superstar jams on albums like Supersession; rockers’ egos swelling as much as their wages, spawning said supersessions as well as supergroups like Cream, Blind Faith, Led Zeppelin and CSN&Y, one-offs like The Dirty Macs and solo outings by John Lennon, George Harrison, Dave Davies, Keith Relf and Colin Blunstone; and the emergence of bona fide rock journalism by publications like Hullaballoo! and Rolling Stone. The world was ready for the Masked Marauders – it even already had the inspiration for the name: yes, The Masked Marauder, a nemesis for Daredevil, Marvel’s first “street hero”, and who first crashed into magazine stands in May 1966.




“PRINT THE LEGEND”



It's a journalistic tradition that every April, the Fool’s Month, many mags and newspaper publish a news item that’s very interesting but which on closer reading it reveals itself as a prank, a joke – although many people insist on believing in it. Well, it was still September, but Rolling Stone editor Greil Marcus (who went on to become one of the best rock writers and historians) could not wait and dreamed up a spoof on supersessions, solo careers, country rock and bootleg records, and published it on the 18th of October 1969 issue, signing it as T. M. Christian – a nom of plume taken, as Marcus later admitted, from The Magic Christian, a famous comic novel which was loosely turned into a movie, starring Ringo Starr and Peter Sellers and released in December the same year. Marcus did let himself be carried away: the album he wrote/fantasised about was a double bootleg, featured Bob Dylan, Mick Jagger, Paul McCartney and John Lennon and included Dylan singing a Donovan song – since Donovan first earned fame as a Dylan clone, Dylan imitating his most famous imitator was the rock joke to end all rock jokes!



Talk about synchronicity: a rumour who surpassed by far the Marked Marauders was the “Paul Is Dead” story, which began life as a story, “Is Beatle Paul McCartney Dead?”, published in a Des Moines university paper almost a month earlier, on the 17th September. And yes, both very tall tales include Paul McCartney in one way or another.

A SUPERSTAR IS BORN

Greil Marcus must have thought that his jokey review would raise just some chuckles – but he overestimated the public’s sense of humour. The magazine and record stores got pestered with requests for the record – even Dylan’s manager, Albert Grossman, and the Beatles’ and Stones’ manager, Allen Klein, reportedly inquired Rolling Stone about such a record. Indeed, the world wanted badly a record that didn’t exist. So, as it has been said, Rolling Stone realised that, having gotten that far, they had no choice but to go even further and make that imaginary record come true. In short, Rolling Stone recruited a relatively unknown but competent ensemble, the Cleanliness and Godliness Skiffle Band (who had made an album for Vanguard Records the previous year), booked a studio, “leaked” some of the resulting songs to a California radio station and shopped around for a record company who would finance and distribute the record for real; the highest bidder was Warner Bros. Records – home of Frank Zappa, Alice Cooper, Captain Beefheart, the GTOs, Randy Newman and foreign eccentrics like the Kinks and Van Morrison, that is, one more loony wouldn’t hurt. Warners went to the extent of creating a special label exclusively for this album, Deity Records. This band followed some of the “songs” mentioned in the review and created some of their own. The whole record was written and recorded in that very same October and was released in late November – and to think that nowadays each track demands ages for marketing strategy meetings and mixing the drums alone...

Warners could be crazy but it was no fool; the Masked Marauders joke was treated very seriously, with contracts, directions to the press and a disclaimer in the shape of the closing track, featuring an enraged “purchaser” of the record yelling to all that would listen that the whole album was just a joking hoax ("When I get through with those people at Deity Records, I'll have them walking out of the building in barrels!"). Well, not many people listened; more than a few rock fans bought the record believing it was for real – it even reached number 114 in the Billboard charts, and a single of two of it tracks got to number 123, not bad at all for a group who did not give any media interviews or public performances and simply did not exist until a few weeks before...

Langdon Winner, a contributing editor to Rolling Stone, helped a great deal in the proceedings, revealing itself a good pianist and songwriter; very active as a journalist then and now, his website is worthy quite a few visitings.



Adding still further to the joke, the two tracks chosen for the single, besides being two of the best ones, were exactly the ones with the most risqué titles, “I Can’t Get No Nookie” and “Cow Pie”. “Nookie” was code both for ladies who were too lovelorn and for one of their not so private parts (songwriter Artie Wayne even managed to scandalise one of his Hollywood neighbours, actress Bette Davis, when he had a dog called Nookie (“She smiled, and in that voice of hers said ‘What a cute little fella….what’s his name?’ When I told her, she quickly backed up into her apartment building… and I never saw her again”) and a “cow pie” is the usually large final by-product of cows’ digestion activities.

MISTERIOUS COVER


When researching for this article, I noticed something strange. Was it just me or the Masked Marauders album cover had more than one version? Further research revealed that, indeed, the cover shown on the joke review featured a different woman to the released album. A little more googling took me to a blog dedicated tothe late, great actress Sharon Tate, where I discovered that the dame on the cover shown on the original review was her and the image was taken from was a promo picture for her The Fearless Vampire Killers (US title)/Dance Of The Vampires (English title) film, released in February 1967, and this still had been published in Playboy magazine the following March.


Sharon, unfortunately, had died on the 9th of August 1969. Was her presence on the review cover a tribute to her? Did Playboy threatened a lawsuit? Anyway, on the actual cover Sharon was replaced by another dame whose identity I don’t know as of yet – and Rhino’s 2003 reissue of this album on CD sports a third cover with the picture blown up so as to show no dame whatsoever (although the package includes the album cover).



…AND THE ALBUM ITSELF

Did anyone asked Jagger, Dylan and McCartney what they thought about this record then and/or now? Making this record was indeed much fun and literally a dream come true, but it was also the proverbial race against time, so the actual review was followed as much as possible, and in practice it meant only so much; we didn’t get the whole gang singing “Oh Happy Day”, much less it was a double album (only a single one with a 30-minute running time, a very acceptable minimum in those days – after all, the Beach Boys’s Wild Honey album offered a total of 24 minutes, The Kinks Greatest Hits! is a few seconds short of that, and Elvis Presley hit big with the It Happened At The World’s Fair movie soundtrack, with a grand total of 21 minutes… Watch this space for an article of mine on these and other “not so long players”…) Oddly enough, the album included an insert with the original Rolling Stone review, which mentions the album is double and includes Paul McCartney singing “Mammy” (no further details about this, but I think it may be the Al Jolson hit “My Mammy”) Dylan and George Harrison doing an acoustic version of the MC5’s “Kick Out The Jams” and the whole gang bellowing the Edwin Hawkins gospel hit “Oh Happy Day”, all details absent from the accompaning record.


So let’s take a look, track by track:

Side one

1.     "I Can't Get No Nookie" (The Masked Marauders) – 5:29
One of the best opening tracks ever. No one parodies the Stones as well as this, not even the real Stones. A perfect facsimile of the band in 1968-69, down to a Nicky Hopkins-like rollicking piano. Brings to mind other Stones songs that used the same two chords, the earlier “2120 South Michigan Avenue” and the later “Claudine”. No wonder this track is often misconstrued as an outtake from the supersession album Jamming with Edward! – certainly it is better than anything on that album! (OK, I'll spare "It Hurts Me Too".)

2.    "Duke of Earl" (Eugene Dixon “Chas Chandler”/Earl Edwards/Bernice Williams) – 3:21
A cover of Gene Chandler’s 1962 superhit that features “Bob Dylan” and includes a quote of an earlier superhit, Rodgers & Hart’s “Blue Moon”.

3.    "Cow Pie" (The Masked Marauders) – 2:18
A direct spoof of Dylan’s Nashville Skyline album, mostly instrumental, with our Bob Dylan soundalike saying “cow pie” at times.

4.    "I Am The Japanese Sandman (Rang Tang Ding Dong)" (Alvin Williams) – 3:45
This is a doo-wop classic first recorded by Ray Stevens and then vocal group The Cellos in 1957 (not “1955” as announced at the start of the Marauders recording), but many people (even Wikipedia!) mistake it for the 1920 hit song “Japanese Sandman”, written by Richard A. Whiting and Raymond B. Egan. The Marauders version is very close to the already goofy Cellos original.

5.    "The Book Of Love" (Warren Davis/ Charles Patrick/George Malone) – 2:21 
A rock and roll hit from 1957. Reminds me of the Get Back/Let It Be sessions where the Beatles mistreated the likes of "House Of The Rising Sun". Speaking of the Beatles, this track ends with a quote of "Norwegian Wood" and some chat by “John Lennon”.

Side two

6.    "Later" (Warren Davis/ Charles Patrick/George Malone) – 1:11
“The Book Of Love Part 2” (or “Volume 2”?). It further conveys the impression of this album being a, ahem, real bootleg.

7.     "More or Less Hudson's Bay Again" (The Masked Marauders) – 3:31
One of the best Bob Dylan songs that he never wrote or recorded. (And the intro was somewhat recycled for the intro to the Kinks's "Underneath The Neon Sign".)

8.    "Season of the Witch" (Donovan Leitch) – 10:13
A “Dylan and Jagger” duet. Another keeper, albeit a bit too long.

9.    "Saturday Night at the Cow Palace" (The Masked Marauders) – 1:30
An instrumental version of “Cow Pie” which serves as background for an angry guy denouncing the whole record as a sham and thus rendering it legal suit-proof.

And who were the Masked Marauders? The Rhino reissue answers:

Allen Chance: vocals on “More or Less Hudson's Bay Again”
Anna Rizzo: drums
Annie “Dynamite” Johnston: vocals and percussion
Brian Voorheis: vocals, guitar and harmonica
Gary Salzman: lap steel
Langdon Winner: piano and backing vocals
Luke Wienecke: organ
Mark “The Fox” Voorheis: drums and vocals on “Saturday Night at the Cow Palace”
Phil Marsh: vocals and guitar
Vic Smith: bass

(Some bits of trivia. The Cleanliness and Godliness Skiffle Band’s line-up used to revolve around fixed members Annie Johnston, Brian Voorheis, Gary Salwman and Phil Marsh. And Allen Chance, Anna Rizzo and Vic Smith later joined the Marty Balin-produced group Grootna)

And it looks like the Masked Marauders joke is so lasting and so good it can be stretched out no end. The Rhino reissue is subtitled The Complete Deity Recordings, which is a double entendre: the Deity LP and the mono single are the totality of the Marauders canon and the Deity label released nothing else…

I first knew about this record on the book All Together Now: The First Complete Beatles Discography, 1961-1975 by Harry Castleman and Walter J. Podrazik, released in 1976 and which I discovered two years later. This is one of the very-best-ever books about the Beatles or any other artiste, and it is still a very reliable reference book 44 years later. Likewise, this Masked Marauders record still sounds funny after more than half a century, and if you like the artists satirised therein it’s worth acquiring at not too dear a price (it can even be listened to at YouTube and Spotify!). To me, this album is a good example of the best kind of comedy music: it works as a joke for those who get it and as just plain music for those who don’t.



As a postscript (for now…), here’s a very interesting NBC video report about this record 50 years later, interviewing many of the persons who made the record and a few who bought it at the time believing it was a real album by Dylan, Jagger et al…

Agora a versão em português: 


Música rock. Country-rock. Beatles, Rolling Stones e Bob Dylan. Supergrupos e super-sessões. A era do “eu” e das carreiras-solo. Humor musical e bom humor. Jornalismo de rock. O negócio da música. Discos piratas. Rumores, boatos e credulidade. Se você tem interesse em pelo menos um ou dois desses assuntos, aqui está outro assunto de grande interesse para você: a não-banda The Masked Marauders. Você pode ter lido e ouvido falar sobre ela, mas acho que tenho algo novo a acrescentar; leia e veja se concorda.

Para quem ainda não conhece os Masked Marauders, eles eram mais do que um grupo de humor musical, eram uma piada - não apenas uma das mais elaboradas, mas uma piada contada ao contrário. Explicarei.

Era 1969, um dos anos marcantes no rock, com Woodstock e outros festivais; Tommy, Arthur, Hair! e outras “óperas-rock”; The Great White Wonder de Bob Dylan estourando como o primeiro álbum pirata de rock amplamente promovido; Dylan e os Stones ajudando a lançar o country-rock com os álbuns Nashville Skyline e Beggar's Banquet; superstars de rock e blues glorificados em álbuns como Supersession; os egos do pessoal do rock inchando tanto quanto seus salários, gerando super-sessões e supergrupos como Cream, Blind Faith, Led Zeppelin e CSN&Y, eventos únicos como The Dirty Macs e discos-solo de John Lennon, George Harrison, Dave Davies, Keith Relf e Colin Blunstone; e o surgimento da verdadeira imprensa de rock com publicações como Hullaballoo! e Rolling Stone. O mundo estava pronto para os Marauders - até já existia inspiração para o nome: sim, o Saqueador Mascarado (também chamado em outras traduções brasílicas do gibi de Bandido Mascarado, Lutador Mascarado e "Maligno"), arqui-inimigo do Demolidor, o primeiro "herói de rua" da Marvel, e que primeiro invadiu as bancas de revistas em maio de 1966.



"IMPRIMA-SE A LENDA"

No jornalismo há uma tradição de que em todo mês de abril, o Mês da Mentira, muitas revistas e jornais publicam uma notícia muito interessante, mas que ao ser lida com mais atenção se revela uma brincadeira, uma piada - embora muitas pessoas insistam em acreditar nela. Bem, ainda era setembro, mas o editor da Rolling Stone, Greil Marcus (que se tornou um dos melhores escritores e historiadores de rock), mal podia esperar e sonhou com uma paródia de supersessões, carreiras solo, gravações de country rock e discos piratas, e a publicou na edição de 18 de outubro de 1969, assinando-a como T. M. Christian - pseudônimo tirado, como Marcus mais tarde admitiu, de The Magic Christian, famoso romance cômico que foi livremente adaptado para um filme, estrelando Ringo Starr e Peter Sellers e lançado em dezembro do mesmo ano (exibido aqui como Um Beatle No Paraiso). Marcus realmente se deixou levar: o álbum sobre o qual ele escreveu/fantasiou era um álbum duplo pirata, contando com Bob Dylan, Mick Jagger, Paul McCartney e John Lennon e incluindo Dylan cantando uma música de Donovan – tendo Donovan começado a fazer sucesso como clone de Dylan, Dylan imitando seu imitador mais famoso era a piada das piadas no rock! (Como paralelo, imagine Billy Idol imitando Supla ou Djavan fazendo um tributo a Jorge Vercilo.)


Isso é que é sincronicidade: um boato que superou de longe este dos Masked Marauders foi a história de "Paul Is Dead", surgido graças à matéria "Is Beatle Paul McCartney Dead?", publicada num jornal de universidade em Des Moines quase um mês antes, no dia 17 de setembro. E sim, estas duas grandes fábulas incluem Paul McCartney de uma maneira ou de outra.

NASCE UM SUPERSTAR

Greil Marcus deve ter pensado que sua crítica divertida causaria apenas algumas risadas - mas ele superestimou o senso de humor do público. A revista e as lojas de discos foram inundadas com pedidos do disco – consta que até o empresário de Dylan, Albert Grossman, e o empresário dos Beatles e Stones, Allen Klein, perguntaram à Rolling Stone sobre o dito. Na verdade, o mundo queria muito um disco que não existia. Então, como já foi dito, a Rolling Stone percebeu que, tendo ido tão longe, não tinha opção além de ir mais longe ainda e tornar esse disco fictício realidade. Em suma, a Rolling Stone recrutou um grupo relativamente desconhecido, mas competente, a Cleanliness and Godliness Skiffle Band (que havia gravado um álbum para a Vanguard Records no ano anterior), alugou um estúdio, “vazou” algumas das músicas resultantes para uma estação de rádio da Califórnia e procurou uma gravadora que financiasse e distribuísse o disco de verdade; o maior lance foi da Warner Bros. Records – casa de Frank Zappa, Alice Cooper, Captain Beefheart, GTOs, Randy Newman e excêntricos estrangeiros como Kinks e Van Morrison, ou seja, uma doideira a mais não faria mal. A Warner chegou ao ponto de criar uma gravadora especial exclusivamente para este álbum, a Deity Records. Essa banda realizou algumas das "músicas" mencionadas na crítica e criou outras próprias. O disco todo foi concebido e gravado no mesmo mês de outubro e lançado no final de novembro - e pensar que hoje em dia cada faixa exige eras só para as reuniões de marketing estratégico e a mixagem da bateria...

A Warner podia ser louca, mas não era tola; a piada dos Masked Marauders foi tratada com muita seriedade, com contratos, orientações para a imprensa e um aviso na forma da faixa final, mostrando um “comprador” enfurecido do álbum gritando para todo o mundo ouvir que o álbum inteiro era apenas uma armação bem humorada ("Eu vou fazer esse pessoal da gravadora Deity sair pra rua com uma mão atrás e outra na frente!"). Bem, poucas pessoas ouviram; mais do que algumas pessoas fãs de rock compraram o disco acreditando que era de verdade – ele chegou ao número 114 na parada da Billboard e um compacto com duas de suas faixas alcançou o posto 123, nada mal para um grupo que não apareceu em shows, entrevistas, rádio ou televisão e simplesmente não existia até algumas semanas antes...


Langdon Winner, editor colaborador da Rolling Stone, ajudou bastante no trabalho, revelando-se bom pianista e compositor; muito ativo como jornalista na época e ainda hoje, e sua pagina na internet merece algumas visitas.

Para incrementar ainda mais a piada, as duas faixas escolhidas para o compacto, além de serem as duas melhores, foram exatamente as com os títulos mais "risqués", “I Can't Get No Nookie” e “Cow Pie”. “Nookie” (“recantinho”, “frestinha”) era gíria para mulheres apaixonadas demais e uma de suas partes não tão íntimas (o compositor Artie Wayne conseguiu escandalizar uma de suas vizinhas de Hollywood, a atriz Bette Davis, quando ele teve um cachorro chamado Nookie (“Ela sorriu, e com aquela voz dela disse: ‘Que carinha bonitinho ... qual é o nome dele?’ Quando respondi ela rapidamente voltou para seu condomínio... e nunca mais a vi”), e “cow pie” (“torta de vaca”) é o geralmente enorme subproduto final das atividades digestivas das vacas, “onde elas melam nasce cogumelo”.

CAPA MISTERIOSA


Ao pesquisar para este artigo, notei algo estranho. Era impressão minha ou a capa do álbum da banda Masked Marauders teve mais de uma versão? Pesquisas posteriores revelaram que, de fato, a capa mostrada na resenha-piada mostrava uma mulher diferente do álbum lançado. Um pouco mais de pesquisa no Google me levou a um blog dedicado à grande atriz recém-falecida SharonTate, onde descobri que a dama na capa mostrada na crítica original era ela e a imagem foi tirada de uma foto promocional de seu filme The Fearless Vampire Killers (título nos EUA)/Dance Of The Vampires (título na Inglaterra)/A Dança Dos Vampiros (título brasileiro), lançado em fevereiro de 1967, e que havia sido publicada na revista Playboy no mês de março.

Sharon, infelizmente, havia morrido em 9 de agosto de 1969. Seria sua presença na resenha uma homenagem a ela? Teria a Playboy ameaçado entrar com um processo? De qualquer forma, na capa final do disco, Sharon foi substituída por outra dama cuja identidade ainda não conheço - e a reedição deste álbum em CD pela gravadora Rhino em 2003 trouxe uma terceira capa com a imagem ampliada para não mostrar dama alguma (embora a embalagem do CD inclua a capa do álbum).



... E O ÁLBUM

Alguém perguntou a Jagger, Dylan e McCartney o que eles acharam deste disco naquela época e/ou agora? Fazer esse disco foi realmente muito divertido e literalmente um sonho tornado realidade, mas também foi a proverbial corrida contra o tempo, de modo que a resenha-piada foi seguida ao máximo possível, o que, na prática, significou somente até certo ponto; não temos Dylan e toda a turma cantando "Oh Happy Day", muito menos foi um álbum duplo (apenas um álbum simples com 30 minutos de duração, um mínimo aceitável naqueles dias – afinal, o álbum Wild Honey do Beach Boys ofereceu um total de 24 minutos, The Kinks Greatest Hits! tem poucos segundos a menos que isso, e Elvis Presley fez sucesso com a trilha sonora de It Happened At The World’s Fair (no Brasil Louras, Morenas E Ruivas), com um total de 21 minutos… Fique de olho neste espaço para um artigo meu sobre esses e outros “LPs de duração não muito longa”…) Curiosamente, o álbum incluiu um encarte com a crítica-piada original da Rolling Stone, mencionando que o álbum é duplo e inclui Paul McCartney cantando “Mammy” (não tenho mais detalhes sobre isso, mas acho que deve ser o hit de Al Jolson "My Mammy"), Dylan e George Harrison fazendo uma versão acústica de "Kick Out The Jams" do MC5 e toda a turma berrando o hit gospel de Edwin Hawkins "Oh Happy Day ”, detalhes estes todos ausentes do disco.

Lado um

1. "I Can’t Get No Nookie" (The Masked Marauders) - 5:29
Uma das melhores faixas de abertura de todos os tempos. Ninguém parodia os Stones tão bem assim, nem mesmo os próprios Stones. Temos aqui um fac-símile perfeito da banda em 1968-69, até um piano cascateante ao estilo de Nicky Hopkins. Lembra outras músicas do Stones que usaram os mesmos dois acordes, a anterior “2120 South Michigan Avenue” e a posterior “Claudine”. Não é de admirar que esta faixa seja frequentemente citada como uma sobra do álbum Jamming with Edward – e certamente é melhor do que qualquer coisa desse disco! (OK, "It Hurts Me Too" se salva.)

2. "Duke Of Earl" (Eugene Dixon “Chas Chandler”/Earl Edwards/Bernice Williams) - 3:21
Regravação do mega-sucesso de Gene Chandler de 1962 que destaca "Bob Dylan" e inclui uma citação de um mega-sucesso mais antigo, "Blue Moon" de Rodgers & Hart.

3. "Cow Pie" (The Masked Marauders) - 2:18
Paródia direta do álbum Nashville Skyline de Dylan, quase toda instrumental, com nosso Bob Dylan dizendo "cow pie" de vez em quando.

4. "I’m The Japanese Sandman (Rang Tang Ding Dong)" (Alvin Williams) - 3:45
Este é um clássico do doo-wop gravado pela primeira vez por Ray Stevens e em seguida pelo grupo vocal The Cellos em 1957 (não "1955", como anunciado no início da gravação dos Marauders), mas muitas pessoas (até a Wikipedia!) o confundem com o hit de 1920 "Japanese Sandman", composto por Richard A. Whiting e Raymond B. Egan. A versão dos Marauders está muito próxima do original já apatetado dos Cellos.

5. "The Book Of Love" (Warren Davis/Charles Patrick/George Malone) - 2:21
Um sucesso de rock and roll de 1957. Lembra-me as sessões do Get Back/Let It Be em que os Beatles maltratavam obras como "House Of The Rising Sun". Falando em Beatles, esta faixa termina com uma citação de "Norwegian Wood" e um pouco de fala de "John Lennon".

Lado dois

6. "Later" (Warren Davis/Charles Patrick/George Malone) - 1:11
“The Book Of Love Part 2” (ou seria melhor “Volume 2”?). Ajuda a dar a impressão de que este é um, ahn, verdadeiro disco pirata.

7. "More Or Less Hudson’s Bay Again" (The Masked Marauders) - 3:31
Uma das melhores músicas de Bob Dylan que ele nunca escreveu ou gravou. (E a introdução foi algo reciclada para a introdução de "Underneath The Neon Sign" dos Kinks.)

8. "Season Of The Witch" (Donovan Leitch) - 10:13
Um dueto de "Dylan e Jagger". Outra preciosidade, embora um pouco longa demais.

9. "Saturday Night At The Cow Palace" (The Masked Marauders) - 1:30
Uma versão instrumental de "Cow Pie", que serve de fundo para um cara revoltado, denunciando todo o disco como uma farsa e, portanto, tornando-o à prova de processos judiciais.

E quem eram os Masked Marauders? A reedição da Rhino responde:

Allen Chance: vocais em "More Or Less Hudson's Bay Again"
Anna Rizzo: bateria
Annie "Dynamite" Johnston: vocais e percussão
Brian Voorheis: vocais, guitarra e gaita
Gary Salzman: lap steel
Langdon Winner: piano e vocais de apoio
Luke Wienecke: órgão
Mark "The Fox" Voorheis: bateria e vocais em "Saturday Night at the Cow Palace"
Phil Marsh: vocais e guitarra
Vic Smith: contrabaixo

(Algumas curiosidades. A formação da Cleanness and Godliness Skiffle Band costumava girar em torno dos membros fixos Annie Johnston, Brian Voorheis, Gary Salwman e Phil Marsh. E Allen Chance, Anna Rizzo e Vic Smith mais tarde se juntaram ao Grootna, grupo produzido por Marty Balin.)

E parece que a piada do Masked Marauders é tão duradoura e tão boa que pode ser esticada ao infinito. A reedição da Rhino tem o subtítulo The Complete Deity Recordings, que tem duplo sentido: o LP e o compacto em mono formam a totalidade do cânone dos Marauders, e o selo Deity não lançou mais nada…




Conheci este disco no livro All Together Now: The First Complete Beatles Discography, 1961-1975, de Harry Castleman e Walter J. Podrazik, lançado em 1976 e que descobri dois anos depois. Este é um dos melhores livros de todos os tempos sobre os Beatles ou qualquer outro artista, e ainda é um livro de referência muito confiável 44 anos depois. Da mesma forma, este registro do Masked Marauders ainda soa engraçado após mais de meio século, e se você gosta dos artistas satirizados, vale a pena adquiri-lo a um preço não muito alto (pode até ser ouvido no YouTube e Spotify!). Para mim, este álbum é um bom exemplo do melhor tipo de música humorística: funciona como piada para quem estiver por dentro e simplesmente como música para quem estiver por fora.

Como uma despedida (por enquanto...), aqui estão um dos raros textos em português sobre os Masked Marauders (pelo brasileiro Ricardo Schott) e uma reportagem em vídeo da NBC muito interessante sobre esse registro, 50 anos depois, entrevistando muitas das pessoas que participaram do disco e algumas que o compraram na época, acreditando que era um disco legitimo de Dylan, Jagger e companhia…