Tuesday, February 19, 2019

CANJA Y POLENTA: ESTREIA DA BANDA LOMO PLATEADO

O compositor, músico e arranjador Willy Verdaguer é artista do tipo que muita gente - ou todo mundo - conhece mesmo sem saber. Tal como Paul McCartney ou Ray Davies, ele tem um grande passado (apenas três amostras são Caetano Veloso, os Secos & Molhados e a fase mais balançada de Ronnie Von) mas não vive dele ou nele. E Willy honra dois países: a Argentina, onde nasceu, e o Brasil, onde reside.
Pois bem, ele está com nova banda do melhor rock argentino: Lomo Plateado, formado por Willy (líder e contrabaixo), Fabian Famin (vocal-solo). André Perine (guitarra), Gabriel Martini (bateria) e Matheus Schanoski (teclados). O Lomo vai estrear nesta quinta-feira, 21/02 no teatro da UMC (Av. Imperatriz Leopoldina, 550, São Paulo, SP) às 21 hs. Teremos canja de dois tipos: da literal, servida a todas as pessoas presentes, e participação do grande hermano Tony Osanah (parceiro-irmão de Verdaguer desde os anos 1960 em bandas como Beat Boys, Music Machine e Raíces de América - e que tocará no mesmo espaço no dia seguinte). O projeto deste show da Lomo Plateado chama-se "Canja do Oka" e tem produção do emérito Roberto Oka. Ingressos R$ 20 reais (antecipados na página do UMC) e R$ 40 reais. E aqui vai uma amostra em vídeo da Lomo Plateado.

Monday, January 28, 2019

AUTO-REFERÊNCIA AQUI EU POSSO: MINHA RETROSPECTIVA MUSICAL DE 2018


“Feliz da pessoa cujo trabalho é seu lazer e vice-versa”, e para mim felicidade – as funções de artista, tradutor, escritor e pesquisador musical – é o que não tem faltado, de modo que cada minha retrospectiva anual tem demorado um pouco mais para ser concluída e publicada. E continuo sendo talvez a única pessoa a publicar retrospectiva de um ano depois que ele termina... Obviamente, alguns dos (muitos e bons) motivos do atraso estarão na minha retrospectiva de 2019.

POR ESTAS E OUTRAS BANDAS

Neste ano fiz meus últimos shows como integrante da banda The Vintages, dedicada a pop-rock dos anos 1950 a 1980. Mas a cada porta fechada abrem-se outras, e tornei-me integrante de três outras bandas, com quem inclusive e honrosamente tenho feito shows já desde 2018:

TUTTI QUANTI
Música italiana e italianada em geral

Marcos Mamuth – guitarra
Wilson Rocha e Silva – cavaquinho, violão e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo e vocal
Giordano Bruno – percussão

Estreia mundial da Tutti Quanti, em dezembro de 2018, no espaço Vila Itororó

EM CANTO AMAZÔNICO
Uma das bandas acompanhantes da cantora paraense Jeanne Darwich

Bráu Mendonça – guitarra e violão
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo
Jacinto Kahwage – teclados
Ygor Saunier – bateria e percussão

GOZI
Banda de rock liderada pelo casal/dupla Garofalo

Gisele Garof – vocal
Ozi Garofalo – violão e vocal
Carlos - gaita
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo e vocal
Rafael Lima – percussão
(sim, o nome “Gozi” é um trocadilho com G+Ozi, iniciais dos nomes do casal)

Além disso, gregário e conjunteiro como sempre, continuo honrosamente ativo nestes outros agrupamentos:

A5 EM PB
Banda do Sarau do Circo, projeto do Centro de Memória do Circo

Jorge Dersu – violão e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. – maestro, contrabaixo e vocal
Marquinhos Gil – acordeão e vocal
Tetê Purexempla – saxofone e vocal
Dinho Nascimento – percussão e vocal


 Respeitável público, aqui está a banda A5 Em PB!

LOS INTERESANTES HOMBRES SIN NOMBRE
Blues e rock

Marcos Mamuth – guitarra e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo e vocal
Carlinhos Machado – bateria, percussão e vocal
 Bruce, Baker e Clapton: Los Interesantes Hombres Sin Nombre na Feira da Pompeia em dezembro de 2018

JANET PHOENIX
Rock and roll

Jany Kat - vocal
João Arjona Jr. – guitarra e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo e vocal
Perê – bateria e teclados

E ainda tem estas que hão de voltar aos estúdios e palcos:

TONQ (TOSQUEIRA OU NÃO QUEIRA)
Wilson Rocha e Silva – violão, cavaquinho, violino, guitarra, teclados e vocal
Rica Soares – guitarra, violão e vocal
Sonekka – violão, teclados e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo, guitarra e vocal
Ricardo Moreira – bateria, percussão, violão e vocal
e mais
Rosa Freitag – guitarra e vocal
Mário Lúcio de Freitas – vocal

TATO FISCHER & A BANDA
Tato Fischer - teclados e vocal-solo
Bráu Mendonça - violão, guitarra e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. - contrabaixo e vocal
Bruno Sotil - bateria, percussão e vocal

ARBANDA (banda do projeto Arquivo do Rock Brasileiro)
Patricia Toscano – vocal
Leonardo Freund – guitarra e vocal
Marcelo Agulha – guitarra e vocal
Ayrton Mugnaini Jr. – contrabaixo e vocal
Laércio Muniz – bateria

E embora mais notório desde os anos 1990 como compositor, contrabaixista e violonista, retomei em público minha porção percussionista (cheguei a lecionar bateria nos anos 1980 – sim, quem sabe mais ensina para quem sabe menos) em dois eventos do Centro de Memória do Circo: a passeata no Dia do Circo, em 26 de março, e a “palhaceata” no Dia Internacional do Palhaço, 10 de dezembro.

A CONQUISTA DE ESPAÇOS

Já famoso como “Homem-Sarau” de tanto participar em tais eventos, em 2018 incluí em minha agenda o Sarau do Gattoni (produzido mensalmente pelo poeta Alberto Gattoni na Galeria Olido), o Bodega (comandado todo mês por Cacá Lopes e Costa Senna), o Sarau da Carauari (primeiros saraus produzidos na citada mercearia e no Centro Cultural Jabaquara pela poetisa Silvia Maria Ribeiro, já famosa como emérita batalhadora do Sarau da Maria) e as jam-sessions de blues no espaço Clandestino (na Rua Augusta), além de shows e saraus na Funarte – primeira vez em que subi a tal belo palco desde meu tempo de “micagens” (pessoas mais caridosas chamavam aquilo de “trabalho como ator”) em shows do Língua nos anos 1980. E estes saraus (produzidos por Alexandre Tarica, do Sarau Toca do Autor) na Funarte foram os primeiros eventos deste tipo naquele palco. Uma amostra (que, por sinal, tem tudo a ver com minha pesquisa sobre música e circo) é a ainda inédita em discos "O Circo Chegou" do emérito caiubista AntonioGalba.

Pose de músico no show Minas Em Canto no Hotel Cambridge. Foto de Roberto Cândido.

Também toquei num evento de estética facial comandado pela parceira Vera Mendes  e promovido pela academia de estética Jacques Janine, na região Leste de Sampa. Além disso, participei de shows e saraus em espaços novos para mim como o Santa Sêde (na região Norte), o Bar República (perto do metrô Tatuapé), a mercearia Carauari (na Vila Maria), o Clandestino (na região dos Jardins), o Al Janiah (bela amostra do melhor do Mundo Árabe no Bixiga) e o belo espaço alternativo Cemitério de Automóveis, do grande Mário Bortolotto (com a banda Gozi). Tive também o prazer de presenciar e a honra de ser mencionado num evento em homenagem a Adoniran Barbosa em 25 de janeiro no Teatro Municipal, do qual fiz uma resenha aqui mesmo em meu blogue.

E este ano o Homem-Sarau deixou um pouco de ser “árvore”. Ultimamente não tenho viajado para muito além de Cotia ou Santo André, mas em 2018 toquei em Caxambu, Minas Gerais, num festival bão demais da conta com Tarica, e com a cantora Jeanne Darwich em Garça, no Noroeste paulista – minha primeira volta à região desde minha última visita a Lins, para mim cidade de grande importância, em 1987. Aqui vai uma amostra deste show, que foi parte da Virada Cultural Paulista de 2018.


Com Rosa Rocha, Wilson Rocha e Silva (sem parentesco mas com irmandade musical) e o percussionista Sidney em São Miguel Paulista


E estive com meu filho Ivo no evento Anime Friends, bela tradição de todo ano, e na Bienal do Livro, idem de todo bimestre.

NOVAS PARCERIAS

Meu “Livro do ano” de pessoas com quem comecei a fazer música em 2018, com os locais onde as conheci:

Carlos Mahlungo – violão e vocal
Sarau da Bodega

Cristina Arantes – percussão
Saraus do Gatoni e Bodega

Giordano Bruno – percussão
Integrante da Tutti Quanti (ver acima)

Jacinto Kahwage – teclados
Banda Em Canto Amazônico (ver acima)

Leandro - percussão

Luiza Silva Oliveira - poeta, atriz e cantora

Luiz Felipe Xavier – percussão
Sarau Toca do Autor na Funarte

Luiz Sandro – percussão

Maiethe Barros – percussão
Toquei com ela e a tecladista Cristina Costa num show na casa Brazileria. Detalhe: ela é irmã do saudoso Little Piga (“al secolo” Luiz Fernando de Barros), contrabaixista da lendária banda de rockabilly Coke-Luxe, cujos hits incluem “Não Beba, Papai, Não Beba”. Eu soube do parentesco de Maithee e Piga na hora do show, e em homenagem a ele cantei esta canção na íntegra pela primeira vez na vida – eu só havia cantado esta canção antes uma vez, quando fiz vocais no único disco-solo de Kid Vinil, de 1989 (e que em 2018 foi relançado em CD pelo selo Discobertas).

Nêgo Blue – violão e vocal
Sarau da Bodega

Regina Cell – vocal
Sarau Toca do Autor

Rodrigo Raposo – produtor e empresário
Trabalha com a cantora Jeanne Darwich (além de ser, orgulhosamente, seu marido)

Rosângela Silva – vocal e teclado
Sarau Toca do Autor

Sandro – percussão
Sarau Toca do Autor

Tetê Purexempla – saxofone e vocal
Integrante da banda A5 Em PB, do Sarau do Circo (ver acima)

Vicki Araújo – vocal
Deu canja num show com a banda Gozi

Volt Goulart – violão e vocal
Sarau do Caiubi

Wagner Assumpção – percusssão
Sarau Toca do Autor na Funarte

Ygor Saunier – bateria e percussão
Banda Em Canto Amazônico (ver acima)

Foi bom também tocar novamente com o compositor e violonista Cacá Lima e o porta e compositor Costa Senna, no Sarau da Bodega, e o gaitista Fernando Naylor “Dr. Feelgood”, nas jam-sessions do Clandestino. (Igualmente bom foi participar do novo trabalho de Costa Senna, gravado no estúdio do grande Sapiranga e a sair em 2019. Sim, foi a volta da dupla campeã de sucesso rápido, Ayrton & Senna.)

E comecei a colocar em prática a parte de eventos da futuramente famosa firma Produções Mugayr, realizando alguns shows coletivos ao lado de Cristina Costa, Henrique Vitorino, Marcos Mamuth, Rosa Rocha e Wilson Rocha e Silva (sem parentesco mas de união e amizade sólidas como o sobrenome).

QUE MARTHAVILHA!

Outro belo detalhe deste ano: além de Homem-Sarau, voltei a ser homem sério graças a Deus e à artista plástica Martha Maria Zimbarg, que no segundo semestre se tornou parceira de vida e de arte, e inclusive me apresentou a saraus como o da Bodega e o do Gattoni e começou a cuidar, ao lado de meu filho Ivo, na parte visual de meus discos nas já quase famosas Produções Mugayr. E eu e Martha fizemos uma boa troca: ela compõe e toca um pouco de violão, e graças a seu incentivo tornei a desenhar, mas com mais estudo e afinco do que quando eu era jovem; inclusive frequentámos um curso de caricaturas do grande Toni d’Agostinho. Além disso, fiz a parte musical numa sua vernissagem no recém-inaugurado espaço cultural paulistano Cantinho do Brooklin.


 Zimbarg e Mug no sarau da Cantina Piolin.

PRODUZINDO É QUE A GENTE SE ESTENDE

Além de começar a gravar novo disco previsto para março ou abril de 2019, participei dos CDs Rosal do colega de Caiubi Cássio Figueiredo e Adoniran Mezzo A Mezzo do cantor e compositor adoniranista Miguel Barone. Tivemos também nova edição do livro 1973, O Ano Que Reinventou A MPB, do qual participei, e um depoimento meu sobre Raul Seixas foi incluído em Jamais Me Revelarei, belo livro do raulseixista Leonardo Mirio.
 Com Juca Filho, Gerson Conrad, Tavito, Danilo Casaletti e Celio Albuquerque em evento da nova edição do livro 1973: O Ano Que Reinventou A MPB, na Livraria Martins Fontes.

Em pose "Krig-Ha Bandolo" com Leonardo Mirio após um Sarau do Gattoni na Galeria Olido.

De tanto compor e participar em saraus, acabei lançando nestes algumas canções que ainda nem lancei em discos (mas estarão no próximo ou em outros), como a marcha-rancho “Que Frio!”, o fox-blues “Fui PegoPela Loura do Banheiro” (para meu disco de 2019 e presentes nestes atalhos em pré-mixagens; notem as ilustrações de Martha Zimbarg), o maxixe “Oh Amohrr” e até uma canção em homenagem ao circo baseada numa frase da grande Rachel de Queiroz, “Viva O Circo Que Se Transforma”.

2018 foi também o ano em que fiz uma grande descoberta: a palavra “gata” é (ou tornou-se) baixíssimo calão para designar (ao menos algumas) damas com quem não se tem grande intimidade, mesmo com intenção meramente afetuosa ou jocosa. Referi-me assim a duas amigas e a reação foi pior do que se eu lhes houvesse xingado as respectivas mães; elas até deixaram de ser minhas amigas. Compus então uma canção sobre o caso, "A Peleja Da Feminista Mau-Humorada Com O Galanteador", musicalmente inspirada na literatura de cordel que tenho ouvido muito no Sarau da Bodega.

E num dos primeiros shows da cantora Jeanne Darwich de que participei ela mencionou ao microfone que sentia ter emagrecido a ponto de estarem caindo-lhe as calças. Perto logo de quem ela precisava dizer isso? Ao terminar o show, eu já havia composto o “Xote Da Calça”: “Agora eu vi/eu to sentindo/emagreci e a minha calça tá caindo”. Jeanne adorou e tem incluído a canção em alguns shows...

Tuesday, December 11, 2018

"LÁ VEM, LÁ VEM, LÁ VEM PICOLINO"... E VEIO PARA FICAR (ROGER AVANZI, 1922/2018)

Rrrrrespeitável público, venho por meio desta homenagear um artista circense entre artistas circenses: o palhaço, músico, compositor, ator, jóquei, equilibrista, memorialista de circo e professor de artes circenses (quer mais? Pois bem, ele foi também motorista de ônibus transformados em trailers circenses quando motoristas sumiam durante excursões do circo) Picolino II, "al secolo" Roger Avanzi, nascido em São José do Rio Preto a 7 de novembro de 1922 (exatamente dois meses após a primeira transmissão oficial de rádio no Brasil e no mesmo ano da Semana de Arte Moderna) e falecido agora em 10 de dezembro de 2018, em pleno Dia do(a) Palhaço(a).

Roger Avanzi/Picolino aos 90 anos.

Sim, Roger Avanzi foi um dos melhores exemplos do que chamarei de "longevidade palhaçal", a exemplo de outros grandes palhaços como Arrelia (99 1/2 anos de vida e alegria) e Carequinha (quase 91 anos). (Por sinal, comentei sobre isso com o grande parlapatão Hugo Possolo e ele respondeu "é por isso que meu epitáfio vai ser 'ainda bem que me atrasei muito para chegar aqui'".) Roger Avanzi teve longa vida e longa carreira que não conseguirei resumir aqui mas que merece ser conhecida, além de ser um Roger que merece no mínimo tanta atenção quanto alguns xarás têm recebido por aí,mas sem necessidade de apelar para polemíticas (termo para designar polêmicas políticas e que inventei agora sem saber se já existia ou não). Reúno aqui alguns detalhes e curiosidades.

Coisa boa foi RA ter recebido muitas flores em vida, como esta homenagem da Câmara Municipal de São Paulo, desfilar com a escola de samba paulistana Unidos de Vila Maria no carnaval de 2014, ter sido um dos primeiros professores de artes circenses no Brasil (pupilos ilustres incluem o saudoso ator Domingos Montagner)... Muita gente o conheceu no programa Bambalalão da TV Cultura, onde ele cantou canções como a marchinha "Careca E Barrigudo", de sua autoria, incluída no LP Tic-Tac E Seus Amigos, lançado em 1985 (e que tenho tocado no meu programa Rádio Matraca a propósito de temas como calvície e palhaçaria musical).

Conheci Roger Avanzi quando me tornei (ou me descobri) circense, a princípio como pesquisador, em 2009 (com um trabalho sobre música e circo a pedido do Centro de Memória do Circo), e depois como músico de bandas circenses (contrabaixista, violonista, percussionista e maestro) desde 2012; cheguei a tocar com ele em algumas edições do Sarau do Circo e a homenageá-lo com uma de minhas composições menos humorísticas (sim, tenho algumas), "O Velho Palhaço", em 2013. Quatro anos depois, foi minha vez de ser homenageado, pelo Sarau da Casa Amarela, e ganhei uma bela surpresa. Sempre pronto a acompanhar todo mundo ao contrabaixo ou outro instrumento que eu tiver à mão, comecei a tocar com o cantor Henrique Vitorino (ao lado do poeta e ator Milton Luna) - e ele, ao escolher uma canção minha para cantar, mudou a introdução para que eu não percebesse que era uma canção minha! E que canção minha ele escolheu? Sim, "O Velho Palhaço"! Notem minha expressão de surpresa no vídeo... E gostei da interpretação de Vitorino a ponto de incluir a canção em meu disco Dó, Ré, Mi,Fá.. Sei Lá! na voz de Vitorino, que também tocou violão na gravação, a qual incluiu este Mug que vos tecla no contrabaixo e na guitarra e Gi Vincenzi na bateria e percussão; ouça aqui.

Por sinal, esta não foi a primeira nem a segunda canção em tributo a Roger Avanzi/Picolino; outras incluem "Picolino" de José Francisco Monteiro "Francis" (no mesmo LP Tic-Tac E Seus Amigos citado acima) e "Macô" de Chico Science (do disco Afrociberdelia, de 1996, e regravada por Karina Buhr para o CD A Música Do Circo Nerino, do qual falaremos mais daqui a pouco).
Roger Avanzi em 1940, antes de se tornar o palhaço Picolino.

Numa coincidência - para quem acredita em coincidências - interessante ao menos para mim é Picolino ter participado em 2000 (ao lado de Tônia Carrero, também de longas vida e carreira e também falecida agora em 2018) numa montagem da peça O Jardim Das Cerejeiras de Tchekhov; eu já havia começado a rabiscar uma versão musical desta peça, e lancei uma das canções ("Meu Bandolim") no mesmo disco em que incluí meu supramencionado tributo a Roger Avanzi.

CD A Música Do Circo Nerino. Já tens teu exemplar?

RA foi também um dos fundadores do mencionado Centro de Memória do Circo, inaugurado em 2009, além de co-autor do altamente recomendável livro Circo Nerino (sobre o circo fundado por seu pai, o palhaço Nerino Avanzi (1886/1962), o Picolino I)  em parceria com a artista e pesquisadora circense Verônica Tamaoki e lançado em 2004. O Circo Nerino tem também um belo registro sonoro no CD A Música Do Circo Nerino, lançado em 2014 e de que tive a honra e prazer de participar na pesquisa de repertório e até cantando um pouco ao lado ao lado de pessoas ilustres como as cantoras Karina Buhr e Letícia Coura e o percussionista Marcio Forte (meu companheiro em outros projetos). Leiam mais aqui.
Livro Circo Nerino. Idem?

Lembremos também que Roger Avanzi é tio da artiz Renée de Vielmond mas não é o mesmo Picolino pai do humorista Dedé Santana; e aqui mesmo neste meu blogue escrevi um tópico sobre possível confusão entre este e outros Picolinos, que pode ser lido aqui.  

Enfim, Roger Avanzi se foi mas sempre ficará. E "o espetáculo ainda continua..."

Monday, October 08, 2018

RG SERVE PRA ISSO: PEQUENO GUIA DE XARÁS MUSICAIS

Não importa se você está começando agora ou já ouve e/ou faz música há milênios: todo mundo já fez, faz ou fará alguma confusão com artistas de nomes iguais ou muito parecidos. Temos os bateristas Roger Taylor do Queen e do Duran Duran, o David Gilmour guitarrista e seu xará escritor, os muitos grupos de rock brasileiro com homônimos mineiros, os outros Beatles e Rolling Stones, as cantoras Claudias cujas vozes vêm de todo o Sul da América... Pois bem, aqui vai minha contribuição para ao menos tentar ajudar a minimizar tais astros bem ouvidos e mal-entendidos.

CANTORAS

“No, not the queen protopunk”. Assim a Rolling Stone resumiu a cantora estadunidense Patti Smyth, surgida após a “escalafobética” (segundo Ezequiel Neves) cantora e compositora Patti Smith, embora a Smyth tenha tido seu valor como cantora da banda Scandal, cantora-solo e primeira escolha para substituir David L Roth no Van Halen – mas recusou por estar grávida e não ter gostado do ambiente: “Eu era novaiorquina, não quis morar em Los Angeles, e esses caras vivam bebendo e brigando o tempo todo”.

Quem pensou em brigar o tempo todo fui eu ao ler na Folha de S. Paulo há poucos anos uma notícia sobre grandes problemas de saúde da cantora Anastacia, o susto baixou quando percebi que o jornal falava de outra Anastacia, sem acento, estadunidense e nascida em 1968 e que tem feito um certo sucesso. Fiquei feliz por esta Anastacia ter se recuperado, mas o que quase me deixou doente foi o jornal ter falado dela como s fosse a única do mundo com esse nome – afinal, nossa Anastácia, pernambucana arretada, faz sucesso até mundial como compositora desde o começo dos anos 1970. Mas “o Brazil não conhece o Brasil...”






Ainda falando de cantoras, temos as três grandes Claudias latino-americanas dos anos 1960, das quais mostro aqui um disco de cada. Uma delas é argentina, e deve ter sido ela a responsável pelas outras duas terem adotado seus países de origem como sobrenomes em discos estrangeiros: Claudia de Colombia e Claudia de Brasil. Sim, esta última é nossa grande Claudya, talvez a melhor deste trio, sem desmerecer as hermanas. Mas o curioso é que nenhuma delas nasceu Claudia, seus respectivos nomes reais são bem diferentes: a argentina chama-se Mercedes Beatriz Bayo, a colombiana tem por nome Blanca Gladys Caldas Méndez e Claudya é xará de Gal Costa, “née” Maria da Graça Rallo.

CANTORES

Para começar, um festival de Rogers e Rodgers, começando pelos com “D”. Jimmie Rodgers (1897/1933) foi um dos primeiros grandes heróis da country music cujo estilo de cantar “yodel” foi imitado/citado/parodiado até pelas Mothers of Invention e Focus. Já o cantor de pop-folk Jimmie Rodgers tem outra coincidência além do nome com seu xará caipira: nasceu no mesmo ano em que o outro faleceu, e ainda está vivo e ativo, mas às vezes se promove como “Jimmie F. Rodgers” para evitar confusão. E temos o guitarrista e gaitista de blues Jimmy Rogers (1924/1997), aquele de sucessos como “That’s All Right” e “Walking By Myself” e que tocou na banda de Muddy Waters.

Temos ainda dois Roy Rogers – e com um divertido aparte pessoal. No começo dos anos 1990 eu escrevia no saudoso jornal Folha da Tarde e um belo dia vejo na irmã mais velha Folha de S. Paulo um tijolinho anunciando “Roy Rogers no Palace”. Imaginei “uau, ele ainda está vivo, e que pique,  ainda vem fazer show no Brasil!” Um ou dois dias depois a querida editora Edianez Parente me diz: “Quer entrevistar Roy Rogers por telefone para o jornal?” Eba! Não enviaram a mim ou ao jornal release ou informação alguma sobre o artista ou o show, mas Edianez sabia que eu me virava. Entrevista agendada, fiz minha lição de casa, inclusive descobrindo que o nome verdadeiro do grande caubói-cantor era Leonard Syle. De modo que minha primeira pergunta (após as saudações iniciais e eu pensar “ele tem a voz bem firme para quem nasceu em 1911”) foi: “Como você escolheu o nome Roy Rogers?” Resposta: “É meu verdadeiro nome, em homenagem ao caubói-cantor.” Pois é, tive de me segurar para não cair da sela e não dar bandeira de que eu ignorava – sim, “não me contaram e não perguntei” – que este Roy Rogers não era o caubói-cantor e sim outro, nascido em 1950, e que na conversa-entrevista descobri ser um já emérito guitarrista que havia tocado com gente boa como John Lee Hooker, Ray Manzarek e Linda Ronstadt, e que estava em sua primeira vinda ao Brasil (a segunda de outras foi em 1994 no Bourbon Street). Ah, sim: o Roy Rogers caubói-cantor só parou de fazer suas “happy trails” bem mais tarde, em 1998, aos 86 anos.






Outra confusão divertida se deu graças à canção “Blame It On The Boogie”, lançada em 1978 por seu autor, o inglês Mick Jackson. Ele queria que a canção fosse regravada por Stevie Wonder, mas já havia muito tempo que este não dependia de canções alheias, e quem acabou dando à canção um sotaque Motown foram The Jacksons, embora já não fossem mais artistas da Motown nem se chamassem mais The Jackson Five. O empresário dos Jacksons encantou-se com “Blame It On The Boogie” a ponto de convencer a gravadora (Epic, selo da toda-poderosa Columbia) a correr para lançar o disco. E a Epic não correu, voou: as gravações de Mick Jackson e dos Jacksons saíram praticamente juntas. O disco de Mick Jackson fez sucesso, mas o dos Jacksons fez ainda mais; o próprio Mick Jackson se divertiu com a situação, reconhecendo que a regravação dos Jacksons ficou ainda melhor que a dele. Mas já que o assunto deste artigo é a confusão entre artistas xarás, muita gente – inclusive o jornal inglês Melody Maker – pensou que o “M. Jackson” autor da canção fosse Michael!

Não esqueceremos dos dois mestres da gaita de blues chamados Sonny Boy Williamson, sendo que o mais novo (Alex Ford, 1912/1965) adotou este nome em homenagem ao mais antigo (John Lee Curtis Williamson, 1914/1948, grande pioneiro da gaita no blues – e mais antigo que o outro em termos de gravações, embora mais jovem) e, para evitar confusão, assinava-se também como Sonny Boy Williamson II ou Rice Miller. Mais natural tem sido a confusão entre outro artista influente, George Formby (nascido George Hoy Booth, 1904/1961), uma espécie de Juca Chaves inglês, armado de seu ukulele e letras de duplo sentido (e honrosamente citado em capas e encartes de discos como os Kinks e o Queen), e seu pai (“al secolo” James Lawler Booth, 1875/1921), pioneiro do “music-hall” inglês e de quem tomou o nome artístico. (E sabem quem mais imitou algo de George Formby pai? Charlie Chaplin, com o chapéu e a bengalinha. Sim, um bêbado trajando luto também me lembra George Formby pai.)

Como nota final de alívio após tanta confusão, não deve haver muita gente capaz de confundir Mike Love, vocalista dos Beach Boys, com Mike Love, baterista dos contemporâneos e conterrâneos The Uniques, que fizeram muito sucesso em seu país com “Not Too Long Ago” e “All Those Things” e no Brasil com “Georgia on My Mind” e “Fool Number One”.

Também acho pouco provável confundir o Raulzito que transou com Deus e com lobisomem com o Raulzito presente em um dos dois lados deste "split-EP" independente ainda mais obscuro que o mítico "Nanny"/"Coração Partido"...



GUITARRISTAS E VIOLONISTAS


Talvez eu seja a única pessoa no mundo a gostar do álbum (sem título) que os Troggs, uma de minhas bandas inglesas preferidas, lançaram em 1975. Mas certamente não devo ter sido a única pessoa a ter lido na contracapa o crédito “Sideman: Peter Green, acoustic guitar” (“auxiliar: Peter Green, violão”) e pensar que era o ex-guitarrista da banda inglesa Fleetwood Mac. Levei anos para perceber que este Peter Green era bem outro, embora também inglês e seu verdadeiro nome fosse realmente esse, por extenso Peter Charles Green. Ele gravou e compôs ainda como Peter Lee Stirling e Daniel Boone, emplacando com este nome o megahit “Beautiful Sunday”, igualmente megahit no Brasil como “Domingo Feliz” na voz de Ângelo Máximo.

Outros dois grandes guitarristas xarás, desta vez estadunidenses, são Glen Campbell e Glenn Campbell. A diferença, além do “n” a mais, é que o primeiro chegou a ser integrante dos Beach Boys e, além de preclaro instrumentista, é também o grande cantor de sucessos country-pop como “Honey Come Back”, “True Grit” e “Gentle On My Mind”, e o outro foi integrante de The Misunderstood, uma das mais subestimadas e injustamente obscuras bandas de rock psicodélico dos anos 1960.


E admito que na Bienal do Livro de 2018 adquiri o romance A Perfeita Ordem Das Coisas pensando que seu autor, David Gilmour (nome muito mais destacado que o título do livro nesta edição brasileira), fosse o guitarrista do Pink Floyd. Só depois me alertaram e reparei na orelha do livro: este David Gilmour é um escritor canadense. Pelo menos não me saí mal, pois paguei barato pelo livro, e ele vale mais, é bem escrito (inclusive menciona muita música, direta e talvez indiretamente – o “talvez” se deve a trechos como este: “Parei diante de uma danceteria vazia – luzes vermelhas e verdes percorriam o salão, como se fossem um louco brandindo um machado.” Terei sido a única pessoa a se lembrar de “Careful With That Axe, Eugene” da banda do outro David Gilmour?).

Por falar em bandas inglesas, nos idos de 1978 descobri ser grande fã da música dos Kinks e hoje eles são a banda inglesa que mais me diz. Mas tive de forçar a vista para perceber que o Ray Davies líder e guitarrista da banda não era o mesmo Ray Davies trompetista, compositor e maestro que, ainda por cima, nos anos 1970 lançou com sua banda Ray Davies & His Button Down Brass (inclusive no Brasil) alguns discos pela gravadora Pye, a mesma dos primeiros discos dos Kinks. E ao compilar todas as composições de Ray Davies não lançadas por sua banda para a Kinks Preservation Society – primeira pesquisa de tal porte em todo o mundo – precisei prestar atenção para não incluir ”Why Can’t We All Get Together” e outras composições do “outro”.

Mais difíceis de serem confundidos são o Carl Perkins guitarrista pioneiro do rockabilly e o Carl Perkins pianista de jazz. Agora, não deve ser muito difícil confundir o John Williams grande violonista australiano com o John Williams estadunidense autor de trilhas sonoras (TubarãoE. T.Indiana Jones). Idem o Brian May inglês (o magistral guitarrista da banda Queen) com o Brian May australiano (maestro, pianista e autor de trilhas de filmes como Mad Max e Mad Max 2). E o Queen logo voltará à nossa conversa.



BATERISTAS

A exemplo dos dois Mike Love que citámos, talvez também não seja muito fácil confundir o Jim McCarty baterista da banda inglesa The Yardbirds (atualmente minha terceira melhor banda inglesa dos anos 1960) com o Jim McCarty guitarrista das bandas estadunidenses Cactus e Mitch Ryder & The Detroit Wheels. Mas temos também o Roger Taylor baterista das bandas Queen e The Cross e o Roger Taylor baterista do Duran Duran (e, para quem se lembrar, Arcadia). Sim, o Queen, além de grande banda, é também grande geradora de xarás. Todos estes artistas eram da gravadora EMI, e aqui vai mais um aparte pessoal: além de jornalista e pesquisador, sou contrabaixista, e às vezes fico tentado a mudar meu nome para John Deacon, montar novo grupo e ir bater à porta da EMI.

CONTRABAIXISTAS

John Paul Jones, além de designar o almirante de origem escocesa do século 18 que se tornou a primeira grande personalidade da Marinha estadunidense, é um nome tão bom para artista de rock que tem sido usado por muitos antes e depois do contrabaixista e maestro inglês John Baldwin ter adotado tal cognome. Alguns de que tenho notícia são os ianques dos compactos “The Wahoo”, de 1963 (produzido por Kim Fowley, um Carlos Imperial gringo e loucaço) e “One More Hanging To Go” de 1966 (neste a produção coube a Huey P. Meaux, famoso por cuidar de grandes discos de cajun, Tex-Mex e country) e o inglês John Paul Joans, do hit “The Man From Nazareth” mas que, processado pelo ex-John Baldwin, teve de mudar de nome para seus discos seguintes, escolhendo o bem mais simples e sucinto John – sim, um “João Só” bem mais sutil, mas que com este novo nome emplacou um sucesso a menos que seu xará brasileiro.



Um pouco menos fáceis de serem confundidos são o Chris White contrabaixista dos Zombies (atualmente minha segunda banda inglesa do coração) e o Chris White famoso pelo hit “Spanish Wine”, de 1976. Ambos são ingleses, mas o nome completo do Zombie é Christopher Taylor White e o do outro é Christopher George White. Um detalhe triste é este último ter falecido em 2014, de câncer. E um detalhe engraçado é a edição brasileira de seu maior hit ter cometido no selo um erro de digitação que resultou num trocadilho involuntário. (Este disco tem mais um detalhe pertinente a este tópico: o Tom Parker creditado no selo não é o tristemente famoso empresário de Elvis Presley, mas sim um maestro e arranjador inglês cujo maior hit foi “Joy”, um arranjo rock para “Jesus, Alegria Dos Desejos Humanos” de J. S. Bach.). E podemos deixar em paz o Chris White saxofonista que tocou com os Dire Straits (mas não no álbum Brothers In Arms), Paul McCartney e muito mais gente boa.

Mas qualquer pessoa que se aventurar a escrever biografias de Ozzy Osbourne e do Black Sabbath estará apta a publicar um “diário de um louco(a)”. Sim, Ozzy nasceu Michael John Osbourne na Inglaterra, e há fotos dele tocando contrabaixo, mesmo que apenas fazendo pose. Mas antes de ele se projetar no Black Sabbath em 1970 tivemos o contrabaixista Greg “Oz” Osborne da banda estadunidense Coven, cujo primeiro álbum, de 1969, abre com uma faixa intitulada “Black Sabbath” (sim, a inspiração foi a mesma da banda inglesa, o filme de terror de 1963 dirigido por Mario Bava e estrelando Boris Karloff). E o contrabaixista inglês Mike “Oz” Osborne, da banda Magic Lanterns, passa a vida esclarecendo que não é Ozzy Osbourne, assim como este nega ser o mesmo dos Magic Lanterns – o maior caso de “só que não” do rock. Um bom texto sobre o assunto, incluindo fotos, está aqui.

BANDAS

Todo mundo já sabe que a banda inglesa dos anos 1960 Nirvana precisa ser mencionada como “o Nirvana inglês” para não ser confundida com o Nirvana de Seattle, mais recente porém muito mais famoso. E acho que ninguém consegue confundir os Primitives de Lou Reed com os Primitives ingleses dos anos 1980. Idem o Music Machine estadunidense dos anos 1960 e o Music Machine formado no Brasil pelos grandes argentinos Tony Osanah e Willy Verdaguer.





Mas parece que algumas gravadoras adoram certos nomes de bandas. Um exemplo é a Capitol estadunidense ter lançado dois The Knack, um nos anos 1960 e o outro (bem mais famoso) na década seguinte, embora com estilo calcado na década anterior. (De quebra, temos outro The Knack dos anos 1960, só que inglês, e que tomou seu nome do filme homônimo exibido aqui como A Bossa Da Conquista.) Outro são as duas Wax lançadas pela RCA, uma ianque e a outra (mais exatamente, um duo) inglesa (que emplacou inclusive no Brasil sucessos como “Right Between The Eyes”).





Ainda nos anos 1960, quantos garotos e garotas amavam os Beatles e os Rolling Stones de universos paralelos? Os Beatles que lançaram um compacto intitulado “The Girl I Love” não são aqueles de Liverpool e sim um pessoal ianque moleque que-que-que seguia à risca o preceito perca-o-sucesso-mas-não-perca-a-piada. E muito antes de Jagger conhecer Richards houve nos EUA outro grupo chamado Rolling Stones, que gravou pelo menos este compacto em 1956, mas pelo jeito rolou pouco, criou muito limo e sumiu.



E no Brasil? Ao pesquisar para esse texto fiz uma descoberta que, se não muito importante, pelo menos é minha: o que não falta são bandas brasileiras de alguma importância que têm uma xará, anterior ou posterior, de Minas Gerais. Tal constatação merece até um parágrafo bom demais da conta só para ela.





Analfabitles é um nome trocadilhesco tão bom que foi usado por pelo menos duas bandas dos anos 1960, uma de Minas Gerais (gravou em discos dos selos locais Bemol e Palladium) e a outra do Rio (lançou dois compactos em inglês pela RCA) A banda Sepultura mineira é merecidamente uma das reconhecidas em nível mundial, e ninguém irá confundi-la com a homônima brasiliense que surgiu bem antes mas não conseguiu se projetar, só estreando em discos em 1991 (com o LP independente A Verdadeira Sepultura), e hoje atende por Sepultura de Brasília. Por falar em peso, temos duas bandas xarás mais pesadas que o ar: o famoso 14-Bis de Flávio Venturini, surgido no fim dos anos 1970, e o bem menos famoso e mais obscuro 14-Bis – mas também mineiro! – que gravou apenas um compacto de hard-rock na outra ponta da década, em 1971 ou 1972. E todo mundo sabe que o grande Guilherme Arantes tocou numa banda chamada Brazilian Boys, mas nem todo mundo sabe que este Brazilian Boys paulistano não chegou a gravar discos e NÃO é o mesmo Brazilian Boys mineiro que nos anos 1960 gravou alguns compactos de iê-iê-iê nos selos Chantecler e Palladium e na década seguinte mudou totalmente de estilo e formação, gravando LPs pela CID e pelo menos uma faixa cult, “Super-Heróis”, lançada em compacto.







DIVERSOS

Falamos em Paul McCartney; pois bem, ele pode se gabar de ter gravado com todos os Brian Jones saxofonistas que conheço. Um é o dos Stones, a princípio guitarrista e gaitista mas que se revelou multiinstrumentista, e é ele quem toca saxofone em “You Know My Name” dos Beatles. O outro é o dos Undertakers, uma das primeiras bandas liverpudlianas de rock and roll, e que também tocou em gravações de seu conterrâneo Michael McGear (irmão de Macca, que produziu algumas destas gravações). Muita gente boa pensa que o Brian Jones de “You Know My Name” é o dos Undertakers, mas este nega: “Esse é o Brian Jones que não sabia nadar.”

Não sei se Ian Stewart (1938/1985), pianista dos Stones injustamente nunca creditado como tal e apenas como convidado, sabia ou não nadar. Mas com certeza ele gravou pelo menos um disco solo (em 1966, com participação de ao menos Bill Wyman e Keith Richards) e, infelizmente, nasceu depois e faleceu antes de outro pianista inglês também chamado Ian Stewart (1908/1989), que fez muito sucesso nos anos 1950 e cujos discos incluem este 78 RPM de 1954; ele merece ser mais conhecido, e um bom começo é este texto aqui.




O assunto vai longe, mas por ora lembrarei ainda que o cantor romântico Biafra foi o responsável pelo guitarrista homônimo ter mudado seu “nom de plume” para Mário Manga após a primeira gravação do Premê, “Brigando Na Lua” no LP do festival da TV Cultura de 1979. E meu parceiro Wilson Rocha e Silva ter acrescentado o “Silva” a seu nome ao se casar (sim, tanto homens casadouros como mulheres idem podem mudar de nome, e nem prcisam mudar se não quiserem) ajuda a diferenciá-lo do saudoso Wilson Rocha escritor e roteirista da Rede Globo de Televisão. Para terminar, temos o Roberto Carlos sanfoneiro, que em 1960 lançou seu único disco, “Baião Japonês” – único disco usando esse nome, pois com o tempo ficou bem mais famoso com outro cognome artístico, Robertinho do Acordeon.

(Muitas das imagens de discos deste artigo saíram de meu acervo, e outras são das cada vez mais recomendáveis páginas 45cat e Discogs.)