A SEMPRE VIVA REVIVENDO
Pois é... Em setembro fiz uma consultoria ao grande Leon Barg, dono da gravadora Revivendo, e ele disse que estava saindo de viagem e me responderia logo que voltasse. Voltou, me respondeu e ainda bem que tive tempo de agradecer, pois ele lamentavelmente nos deixou em 12 de outubro.
A família anunciou que prosseguirá com a Revivendo. De minha parte, apoiarei como puder. E aqui vai um exemplo. Ao fazer uma pesquisa sobre 78 RPM estrangeiros descobri que, mal foi inventada a gravação elétrica, algumas gravadoras produziram discos especiais com trechos de seus novos lançamentos. Pois bem, acabo de elaborar um "promo" da Revivendo, com trechos de algumas grandes e históricas preciosidades que voltaram a ser ouvidas graças a ela. Não sei dizer no momento se tais CDs da Revivendo continuam em catálogo; espero que estejam ou sejam relançados. Incluí apenas trechos justamente para motivar a aquisição e/ou relançamento destes discos. Afinal, como eu sempre digo, crise é como sorte, tem quem acredita. E a Revivendo sempre venceu mazelas como crise, encartes chochos, capas mal feitas e o bendito limite de 14 faixas por CD.
Aqui estão
Francisco Alves - "O Pé de Anjo" (Sinhô) - 1920 - CD O Pé De Anjo, vários
Grupo Chiquinha Gonzaga - "Attrahente" (Chiquinha Gonzaga) - 1914 - CD Chiquinha Gonzaga, A Maestrina, vários
Bob Nelson - "Eu Tiro O Leite" (Bob Nelson/Sebastião Lima) - 1949 - CD Vaqueiro Alegre
Mara e Cota (na verdade Sylvinha Telles e Stelinha Egg) - "Eu Sei Que Vou Te Amar" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) - 1959 - CD Tom Jobim, Raros Compassos
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BLOGUEIROTECA - PARTE 1
Tem coisa mais blogueira que gravações de discoteca pessoal? Pois bem, vou reunir agora um monte de prazeres num só: colecionar discos (ou melhor, colecionar música), comprar discos, digitalizar gravações e repartir tudo isso. Aqui vai uma primeira leva de compactos que adquiri nos anos 1970.
Precisamente em 2 de setembro de 1970, durante o almoço após a escola, ouvi no rádio uma canção de que gostei; quando o locutor anunciou só entendi que o intérprete era Ray Charles. Eu morava em Sorocaba, e no mesmo dia fui à Praça Fernando Prestes e, com toda a autoconfiança de meus recém-completados 13 anos, fui pedindo "O que vocês têm de Ray Charles?" e o vendedor me vendeu este compacto duplo recém-lançado e que tenho até hoje. A faixa que me fez comprar o disco, "Baby Please", é a menos boa, apenas uma derivada de "Words" dos Bee Gees. Mas considero Ray Charles o tipo do artista de quem até as gravações ruins são boas, tipo este que inclui Stevie Wonder, Jorge Ben Jor e Louis Armstrong. Este compacto duplo, The Genius Ray Charles, é uma micro-coletânea de gravações de 1965 a 1970; aqui está uma das outras faixas, sua leitura de "Sentimental Journey" de Les Brown, julgada por determinada Revista Semanal Brasileira de Informação como "mais moderna que a do Beatle Ringo" - e, posso acrescentar, põe moderna nisso: devido à falta de dados no disquinho além dos títulos e autores das faixas, o(a) resenhista da publicação, obviamente pouco expert em "The Genius", não poderia adivinhar que a gravação era de quatro anos antes, 1966. (Não custa, e é até bom, lembrar as outras duas faixas do disco: "Laughin' And Clownin'" de Sam Cooke, lançada em 1970, e "Light Out Of Darkness" do próprio Ray, é de 1965, do filme Ballad In Blue, também exibido como Blues For Lovers, estrelado pelo próprio Ray e dirigido pelo inglês Paul Henreid. E "Baby Please" foi lançada em 1969.)
Ray Charles - Sentimental Journey
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Fui praticamente acionista da rede sorocabana de lojas A Musical, apesar de desde cedo ser esquerdinha e viver reclamando dos preços. Uma das pérolas que garimpei na seção de ofertas foi esta, "Today Was Tomorrow Yesterday", com o cantor Billy Eckstine, que eu conhecia de alguns discos 78 RPM da família, e gostei de saber que ele continuava se atualizando anos 1970 adentro e com o vozeirão em forma. (Ah, sim: a compra foi em 20 de setembro de 1972.)
Billy Eckstine - Today Was Tomorrow Yesterday
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Um pouco depois, em 21 de novembro, desenterrei do ofertão de uma loja da mesma Musical este disco de Walter Hawkins, cantor e compositor de soul que, quase 40 anos depois, continua um tanto obascuro para mim; pelo que entendi, ele fez carreira gospel e chegou a vir a um dos FICs.
Walter Hawkins - It Pays
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Em 1975 fui promovido a universitário e exportado para Lins; precisarei dizer que me lembro menos das aulas de Engenharia que das lojas de discos da cidade? Uma delas, A Instaladora, era na verdade uma loja de eletrodomésticos com uma seçaozinha de discos; um dos muitos que lá adquiri foi "Ghetto Woman" de B. B. King (em 11 de agosto daquele ano), cujo lado-B, "The Seven Minutes" (composto por Stu Phillips e Bob Stone), não foi incluído no LP correspondente (B. B. King In London, de 1971) e, pelo que sei, continua raro até hoje. E só recentemente descobri que esta faixa é de um filme homônimo dirigido por Russ Meyer.
B. B. King - The Seven Minutes
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PARA BEATLE-LADOS - PARTE 1
Nos anos 1980, estava eu na sede do fã-clube Revolution, no Shopping Vitrine da Faria Lima, quando fui "desconvertido". Um beatlemaníaco me perguntou: "Você é beatlemaníaco?" Respondi que sim. "Você acha os Beatles os maiores de todos os tempos?" Respondi que não. "Então você não é beatlemaníaco." Desde então pensei: se não sou, que não seja. Nem posso ser, tendo ouvido compositores pop da mesma época como Goffin & King, Brian Wilson, Ray Davies, Burt Bacharach, Frank Zappa... Assumi-me então como um herege, achando inclusive que muitas composições dos Beatles ficaram melhores com outros intérpretes. Confiram e opinem vocês:
Em 1968 o pianista e cantor de jazz estadunidense radicado em Londres Rich Bono gravou um LP para lá de raro, Once Upon A Time - The Sing Swing Style Of Rich Bono, para o selo inglês Major Minor, de onde garimpei "This Boy".
Rich Bono - This Boy
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Já que mencionei Gerry Goffin e Carole King, em 1979 Louise Goffin, filha de ambos, gravou um bom LP, Kid Blue. Num belo exemplo de "pingue-pongue no rock", embora um pouco indireto, anos após os Beatles regravarem "Chains" de Goffin & King, a menina Louise regravou "All I've Got To Do".
Louise Goffin - All I've Got To Do
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Maggie McNeal, cantora pop holandesa de sucesso nos anos 1970 na dupla Mouth & McNeal ("How Do You Do") e solo ("When You're Gone", "Love Was In Your Eyes"), transformou "Wait" numa bela valsa em seu álbum Fools Together, de 1977.
Maggie McNeal - Wait
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E em 1965 o maestro estadunidense Joshua Rifkin (mais lembrado hoje em dia por suas adaptações de obras do grande Scott Joplin para o filme Golpe de Mestre) gravou o LP The Baroque Beatles Book, um dos primeiros - e melhores - álbuns de tributo ao grupo inglês (além de um dos melhores álbuns de humor musical de todos os tempos).
The Baroque Beatles Book (arranjo de Joshua Rifkin) - Things We Said Today
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ELES TAMBÉM GRAVARAM ROCK - PARTE 2
Mais uma pequena garimpada de rock por ilustres não-roqueiros.
Aqui vão dois em uma gravação só: Jorge Goulart, emérito cantor da velha-guarda da MPB, e o cantor e compositor Bob Nelson, praticamente o introdutor da country music no Brasil (falecido no mês passado aos 91 anos, ainda firme na sela): "Não Me Prenda, Não", bela balada-rock de Bob cantada por Jorge, gravação de 1965.
Jorge Goulart - Não Me Prenda, Não
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Lourdinha Pereira, esposa e produtora de Rolando Boldrin, revelou-se ainda nos anos 1960 boa cantora, e um de seus primeiros LPs inclui "Coisinha Doce", versão de Giram Santos para o country-rock "Sweet Thing (Tell Me That You Love Me)" da famosa dupla de compositores Felice e Boudleaux Bryant, lançada por Rusty & Doug Kershaw.
Lourdinha Pereira - Coisinha Doce
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E quando se pensa que se sabe tudo, sempre aparece uma novidade... Eu já sabia que Carlos Gonzaga, também intérprete de sambas e guarânias, gravou uma composição de Adoniran Barbosa, mas só estes dias fui reparar que é um rock: "Vem, Amor", parceria com Geraldo Blota (o mesmo que "clonaria" o estilo de Adoniran na marcha "Ói Nóis Aqui Traveis"), gravação de 1962.
Carlos Gonzaga - Vem, Amor
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LEMBRAM-SE DE EDUARDO MOREIRA?
O saudoso cantor e guitarrista Eddy Teddy foi um dos pioneiros das feiras de discos de rock no Brasil e também da retomada do rockabilly nos anos 1980, tocando em grupos como Rockterapia e Coke-Luze. E seu filho Luiz Teddy, também emérito rockabileiro à brasileira (foi integrante dos Krents), está produzindo um documentário sobre o rockabilly caboclo, além de comandar um blog em homenagem ao pai: http://eddyteddy.wordpress.com/
E um de meus orgulhos é ter sido integrante, lá em 1980, de um dos grupos de Eddy Teddy, o British Beat - dedicado, como o nome faz supor, ao rock inglês dos anos 1960, antes de Eduardo Moreira mudar o nome artístico e aderir de vez ao rockabilly. Os integrantes eram Eddy na guitarra-base, Vicente Scopacasa na bateria e eu e Reinaldo alternando na guitarra-solo e no contrabaixo. (Por sinal, Vicentão é emérito especialista em rock inglês, tendo sido inclusive ele quem sugeriu o nome da banda; e tive o prazer de tocar novamente com ele quase 20 anos depois na banda Peppermint, ao lado de Bogô, Suely Chagas, Suzy Sallum e Raphael Villardi. Que supergrupo, hein? Pena que restaram apenas algumas fotos e gravações em vídeo e cassete. Espero que esta formação se reúna algum dia!)
Eddy Teddy tinha o hábito salutar de gravar tudo que era ensaio e show. Aqui estão duas gravações do British Beat produzidas por ele. De um dos ensaios, "With A Girl Like You" dos Troggs; Vicentão canta as estrofes, Eddy canta a parte do meio e eu estou no vocal de fundo (e contrabaixo). E do único show do grupo, na casa de Eddy Teddy em 13 de dezembro de 1980 (show por sinal dedicado a John Lennon, falecido naquela semana), "These Boots Are Made For Walkin'" no arranjo instrumental dos Ventures (com Reinaldo na guitarra-solo).
British Beat - With A Girl Like You
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British Beat - These Boots Are Made For Walkin'
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Labels: Eddy Teddy, Rock brasileiro, rock inglês, rockabilly
SAMBA PRA CARAMBA - PARTE 1
Já que sempre reclamei de que o Brasil é o país onde menos se ouve música brasileira, vou fazer minha parte para corrigir isso. Aqui estão alguns sambas que fizeram muito sucesso nos anos 1970 e que, até onde sei, nunca foram reeditados desde então (estas transcrições foram feitas a partir de discos mono!).
Para começar, o grande Jair Rodrigues com "Leão De Coleira", composição do sambista de morro Velha, gravação de 1970.
Jair Rodrigues - Leão de Coleira
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A gravação que marcou a passagem de Luiz Ayrão da jovem guarda para o samba foi este dueto com Picolino da Portela: "Puxa, Que Luxo", composição de ambos, lançada em 1971.
Picolino da Portela e Luiz Ayrão - Puxa, Que Luxo
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Na transição do singelo samba de morro para o simples e direto sambão-jóia temos "Vai Pro Lado De Lá", de Candeia e Euclenes, lançdo por Candeia em 1971 e sucesso com Nerino Silva no ano seguinte.
Nerino Silva - Vai Pro Lado De Lá
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E alguém se lembra - ou ouviu falar - de Maria Luiza Imperial? Filha de Carlos Imperial, ela se lançou como cantora e compositora no começo dos anos 1970, e deve ter seguido conselhos do pai ao fazer declarações escandalosas como "ninguém me convence de que Noel Rosa é bom, 'Conversa De Botequim' é uma droga sem tamanho". Bem, ela conseguiu ser plagiada por João Bosco: compare o trecho "na figura de um bravo feiticeiro" de "O Mestre-Sala Dos Mares" com o trecho "hoje nos teus braços quero esquecer" de "Amor, Amor", parceria de Maria Luiza com Paulo Menezes e o bloco carnavalesco Bafo da Onça, gravada pelo grande Jorge Goulart em 1972.
Jorge Goulart - Amor, Amor
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Labels: MPB, samba
ESTA LULU TAMBÉM TEM MUITOS LUVVERS
Nem faz tanto tempo que a moda no mundo dos quadrinhos era voltar à mais tenra infância: Pernalonga, os Flintstones, a Turma da Mônica e outros tiveram suas versões "kids". Agora temos a onda "teen", com mais uma metamorfose dos personagens de Mauricio de Souza, a Geração Z das Meninas Superpoderosas (um desenho criativo reduzido a mais um animê histérico; desta vez o dia não foi salvo) e a veneranda Luluzinha transformada em Luluzinha Teen. Notei também alguns debates quanto à qualidade desta Luluzinha Teen em relação à anterior, alguns elogiando, outros dizendo ser uma imitação forçada da Turma da Mônica Jovem. De qualquer modo, duas coisas são certas. As histórias da Luluzinha dos anos 1940 a 1960 são tão engraçadas quanto inteligentes e parecem até ter melhorado com o tempo, gosto ainda mais agora que na minha infância lá em 1964. E não estou sozinho: o fã-clube de Lulu tem sócios pelo mundo afora. Aqui estão algumas demonstrações musicais disso, de gêneros, épocas e países diversos.
A mais famosa e óbvia é "Be-Bop-A-Lula", lançada em 1956 pelo roqueiro Gene Vincent, que pronunciava "Lulu" como "Lula" devido ao sotaque de sua região de origem, o Sul dos EUA. Como gsto de fugir do óbvio, trarei uma versão em japonês, escrita por Seuti Yida e cantada por Yoko Abe em 1959 no Brasil - a cantora Abe-san foi o primeiro artista nipo-brasileiro a gravar rock na terra do coqueiro nascente. Kiite kudasai:
Yoko Abe - Be-Bop-A-Lula
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Outra óbvia é "A Festa Do Bolinha", composição de Roberto e Erasmo Carlos, lançada pelo Trio Esperança em 1965, com tamanho sucesso que o texto de contracapa de um LP coletânea de música brasileira patrocinado pela Varig e lançado na Alemanha (Papagaio - Bossa do Brasil) traduz o título para o inglês como "Bolinha's Party" e nem se lembra de que o personagem foi criado nos EUA pela cartunista Marjorie Buell! E, novamente longe do óbvio, apresento uma versão chilena, "La Fiesta De Tobi", com o grupo vocal Los 4 Hits acompanhado pelo conjunto instrumental Los Masters.
Los 4 Hits - La Fiesta De Tobi (A Festa Do Bolinha)
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Muitos acham que a bossa nova foi tão "cabeça" quanto a jovem guarda foi alienada. Para mim, ambas são irmãs quase gêmeas. Ambas eram fusões de música brasileira com estilos ianques, respectivamente o jazz e o pop-rock; ambas eram feitas por jovens que queriam aproveitar a vida; e ambas tinham seu lado moleque e infanto-juvenil. A jovem guarda cantava músicas sobre outros alguéns, Brucutu, Chapeuzinho Vermelho ("não ligue pra nenhum conselho") e Luluzinha? Pois a bossa nova cantava músicas sobre barquinhos e beijinhos, o pato que vinha cantando alegremente, Chapeuzinho Vermelho (às voltas com o "Lobo Bobo", lembra-se?) e... Luluzinha. Sim, a "Luluzinha Bossa Nova", composição da dupla Bôscoli & Menescal, lançada por Sônia Delfino em 1961.
Sônia Delfino - Luluzinha Bossa Nova
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Dos próprios EUA temos o tema da primeira versão do desenho animado, "Little Lulu Theme", composto por Buddy Kaye, Fred Wise (sim, autor de várias cançonetas gravadas por Elvis Presley) e Sidney Lippman, e que vamos ouvir em dois arranjos: o original de 1943 e uma versão jazz com o pianista Bill Evans, primeira faixa de seu primeiro LP para o selo Verve, acompanhado por Gary Peacock (contrabaixo) e Paul Motian (bateria) em 1964.
Original Theme - Little Lulu
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Bill Evans - Little Lulu
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Não esquecerei dos irmãos Meire e Albert Pavão e da dupla vocal da jovem guarda Os Vikings (mais uma conexão com a Turma da Mônica: Diógenes, um dos Vikings, faz a voz do elefante Jotalhão em desenhos e comerciais desta turma), que, ao lado de outros vocalistas e com a coordenação de Theotonio Pavão, pai de Albert e Meire, gravaram vários LPs infanto-juvenis com o nome Quarteto Peralta. Um deles (A Festa Do Bolinha, de 1977) é totalmente dedicado a Bolinha e sua turma, com faixas especiais para personagens como Vovô Fracolino, a Turma da Zona Norte e até aquela peste do Alvinho - sem falar no próprio Bolinha que conegue ser ainda mais peste quando toca violino (curioso é que no gibi antigo Bolinha toca violino por pressão dos pais, mas na versão "teen" ele é guitarrista por opção; só não sei se a qualidade melhorou). Aqui vai o LP inteiro, tomado de empréstimo a um excelente blog, Cantos e Encantos.
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Labels: bossa nova, jazz, Luluzinha, Rock brasileiro
ORIGINALIDADE É ISSO AÍ - ELVIS PRESLEY
Hoje é aniversário do falecimento de Elvis Presley, o verdadeiro Rei do Pop, continuador da tradição de Al Jolson, Frank Sinatra e outros eméritos "crooners". Aproveitarei para mencionar meu novo livro que acaba de sair, O Jovem Elvis Presley (editora Nova Alexandria/Claridade), por sinal que meu segundo livro sobre um mesmo artista; o outro é Elvis Presley: Vamos Dar Uma Festa, lançado pela Nova Sampa em 1994 (sim, eu me dou bem com editoras que têm "Nova" no nome, ou que pelo menos, como dizia Raul Seixas, "enxergam o novo porque têm olho novo") e já esgotado. (Tudo bem, aproveitarei para lembrar também o aniversário de Madonna.)
Aqui vão algumas gravações originais de canções que se tornaram propriedade de Elvis quando ele as gravou.
Foi dito, com justa razão, que música popular, além de feita de fórmulas, é 90% letra; uma nova letra já basta para caracterizar uma nova canção. Um bom exemplo é este mesmo: "Aura Lee", composta em 1861 com melodia de George R. Poulton e versos de William Whiteman Fosdick. Quase cem anos depois, com Elvis já devidamente incorporado à indústria cultural, ele apareceu como compositor de "Love Me Tender", nada mais que "Aura Lee" com nova letra, em parceria com Vera Matson. Na verdade, esta nova letra é do maestro Ken Darby; Elvis foi creditado como compositor segundo o acordo feito pelo (desculpem o baixo calão) Colonel Parker segundo o qual Elvis se tornaria "parceiro" ao gravar obras de determinadas editoras, começando por "Heartbreak Hotel". E Vera Matson também entrou somente com o nome, por ser esposa de Ken Darby e ele ser filiado a uma sociedade arrecadadora de direitos autorais que não a de Elvis. (Continue a ler quando sua cabeça parar de rodar, pois continuarei a escrever quando a minha parar também.) A gravação mais antiga que conheço de "Aura Lee" é com a atriz e cantora Frances Farmer (1913/1970, nascida em Seattle; talvez tenha sido por isso que seus conterrâneos do Nirvana tenham gravado "Frances Farmer Will Have Her Revenge in Seattle"), no filme Come And Get It em 1936 (exibido no Brasil com título Meu Filho é Meu Rival); esta gravação foi extraída do filme.
Frances Farmer - Aura Lee
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Nos anos 1970 Elvis costumava abrir seus shows com "C. C. Rider". Originalmente um blues intitulado "See See Rider", a canção foi lançada por sua autora, a blueswoman Ma Rainey, em 1924. Outras versões em rock ou r&b anteriores à de Elvis incluem a de Wee Bea Booze, Eric Burdon e esta aqui, de Phil Flowers, que só conheço de um compacto mais ou menos oficial; uma transcrição melhor será bem-vinda.
Ma Rainey - See See Rider
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Phil Flowers - C. C. Rider
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Outra composição da qual Elvis fez um "cover de cover" é "Hound Dog", da dupla Jerry Leiber & Mike Stoller, lançada em 1953 pela cantora Willie Mae "Big Mama" Thornton, com direção musical de Johnny Otis. Atenção para o solo de guitarra deliciosamente primitivo de Pete Lewis; para mim ouvi-lo é quase como ser testemunha da invenção da roda. E consta que Elvis, embora bastante antenado com música negra nos anos 1950, baseou sua interpretação de "Hound Dog" na gravação de Freddie Bell & The Bellboys, de 1955.
Big Mama Thornton - Hound Dog
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Freddie Bell & The Bellboys - Hound Dog
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Labels: covers, Elvis Presley, originals
LES PAUL (1915/2009)
A exemplo de Dorival Caymmi, o guitarrista estadunidense Les Paul (falecido ontem aos 94 anos) teve vida e carreira longas, amplamente influentes e produtivas, e ainda estava gravando discos e tocando em barzinhos.
Como quase todo grande artista, Les Paul era a simplicidade em pessoa. Tenho uma entrevista dele de 1987 para a revista inglesa Guitarist (edição de janeiro de 1988) em que ele lembra, por exemplo, como descobriu a técnica de "hammer-on" lá em 1928. "Pensei que ninguém no mundo fazia isso - eu havia inventado a roda. E de repente ouvi Segovia e ela já fazia tudo isso!" Isso, continua Les Paul, acontece também com outros. "Nem sei quantos garotos me chegam com uma nova invenção. Um foi Al DiMeola. Ele disse 'eu coloco meu pulso nas cordas e as abafo', e então eu disse 'deixe-me tocar uma coisa pra você, Al.' Toquei algo lá de 1953, quando ele ainda estava na você-sabe-o-quê esquerda do pai dele. Daí que quando alguém pergunta 'Você inventou isso?' ou me diz 'Você sabia que alguém já fazia isso dez anos antes de você?', só posso dizer que eu fiz. Não estou dizendo que fui o primeiro."
(Já que este é meu blog, vou recordar que também "reinventei a roda" do meu jeito - saiu uma roda meio oval, mas rodava. Quase todas minhas gravações de 1973 a 1994 foram feitas num sistema de "pingue-pongue" que inventei/descobri sozinho, usando dois ou mais gravadores de rolo e/ou cassete. Recentemente eu soube que Les Paul fez a mesma coisa quando gravação em fita ainda era novidade: ele fazia "pingue-pongue" usando discos de acetato. E é divertido reler a contracapa de seu LP The New Sound!, de 1950: "O que é bom com uma guitarra é oito vezes melhor com oito guitarras - e para provar isso ele toca todas ele mesmo! Como se faz isso é segredo de Les, e ele se recusa tenazmente a divulgá-lo.")
Mais famoso pelo pioneirismo na gravação multicanal e maestria na guitarra de música pop, Les Paul merece ser homenageado também como jazzista. Confiram esta gravação da série de shows Jazz At The Philharmonic, feita ao vivo no Philharmonic Auditorium de Los Angeles em 2 de julho de 1944, produzida por Norman Granz e lançada no LP de dez polegadas Jazz At The Philharmonic Volume 4 (selo Mercury, 1950). A faixa é "apenas" um "Blues" de 12 compassos, com Illinois Jacquet (sax-tenor), Jac McVea (sax-tenor), J. J. Johnson (trombone), “Shorty” Nadine (piano - na verdade Nat "King" Cole sob pseudônimo), Les Paul (guitarra), Johnny Miller (contrabaixo, do Nat King Cole Trio) e Lee Young (bateria). Les sola no final; atenção para seu "duelo" com Nat - que, sempre convém notar, antecipou a síndrome de George Benson: mais lembrado como excelente cantor, porém instrumentista melhor ainda.
Jazz At The Philharmonic - Blues
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Labels: Les Paul