Monday, October 08, 2018

RG SERVE PRA ISSO: PEQUENO GUIA DE XARÁS MUSICAIS

Não importa se você está começando agora ou já ouve e/ou faz música há milênios: todo mundo já fez, faz ou fará alguma confusão com artistas de nomes iguais ou muito parecidos. Temos os bateristas Roger Taylor do Queen e do Duran Duran, o David Gilmour guitarrista e seu xará escritor, os muitos grupos de rock brasileiro com homônimos mineiros, os outros Beatles e Rolling Stones, as cantoras Claudias cujas vozes vêm de todo o Sul da América... Pois bem, aqui vai minha contribuição para ao menos tentar ajudar a minimizar tais astros bem ouvidos e mal-entendidos.

CANTORAS

“No, not the queen protopunk”. Assim a Rolling Stone resumiu a cantora estadunidense Patti Smyth, surgida após a “escalafobética” (segundo Ezequiel Neves) cantora e compositora Patti Smith, embora a Smyth tenha tido seu valor como cantora da banda Scandal, cantora-solo e primeira escolha para substituir David L Roth no Van Halen – mas recusou por estar grávida e não ter gostado do ambiente: “Eu era novaiorquina, não quis morar em Los Angeles, e esses caras vivam bebendo e brigando o tempo todo”.

Quem pensou em brigar o tempo todo fui eu ao ler na Folha de S. Paulo há poucos anos uma notícia sobre grandes problemas de saúde da cantora Anastacia, o susto baixou quando percebi que o jornal falava de outra Anastacia, sem acento, estadunidense e nascida em 1968 e que tem feito um certo sucesso. Fiquei feliz por esta Anastacia ter se recuperado, mas o que quase me deixou doente foi o jornal ter falado dela como s fosse a única do mundo com esse nome – afinal, nossa Anastácia, pernambucana arretada, faz sucesso até mundial como compositora desde o começo dos anos 1970. Mas “o Brazil não conhece o Brasil...”






Ainda falando de cantoras, temos as três grandes Claudias latino-americanas dos anos 1960, das quais mostro aqui um disco de cada. Uma delas é argentina, e deve ter sido ela a responsável pelas outras duas terem adotado seus países de origem como sobrenomes em discos estrangeiros: Claudia de Colombia e Claudia de Brasil. Sim, esta última é nossa grande Claudya, talvez a melhor deste trio, sem desmerecer as hermanas. Mas o curioso é que nenhuma delas nasceu Claudia, seus respectivos nomes reais são bem diferentes: a argentina chama-se Mercedes Beatriz Bayo, a colombiana tem por nome Blanca Gladys Caldas Méndez e Claudya é xará de Gal Costa, “née” Maria da Graça Rallo.

CANTORES

Para começar, um festival de Rogers e Rodgers, começando pelos com “D”. Jimmie Rodgers (1897/1933) foi um dos primeiros grandes heróis da country music cujo estilo de cantar “yodel” foi imitado/citado/parodiado até pelas Mothers of Invention e Focus. Já o cantor de pop-folk Jimmie Rodgers tem outra coincidência além do nome com seu xará caipira: nasceu no mesmo ano em que o outro faleceu, e ainda está vivo e ativo, mas às vezes se promove como “Jimmie F. Rodgers” para evitar confusão. E temos o guitarrista e gaitista de blues Jimmy Rogers (1924/1997), aquele de sucessos como “That’s All Right” e “Walking By Myself” e que tocou na banda de Muddy Waters.

Temos ainda dois Roy Rogers – e com um divertido aparte pessoal. No começo dos anos 1990 eu escrevia no saudoso jornal Folha da Tarde e um belo dia vejo na irmã mais velha Folha de S. Paulo um tijolinho anunciando “Roy Rogers no Palace”. Imaginei “uau, ele ainda está vivo, e que pique,  ainda vem fazer show no Brasil!” Um ou dois dias depois a querida editora Edianez Parente me diz: “Quer entrevistar Roy Rogers por telefone para o jornal?” Eba! Não enviaram a mim ou ao jornal release ou informação alguma sobre o artista ou o show, mas Edianez sabia que eu me virava. Entrevista agendada, fiz minha lição de casa, inclusive descobrindo que o nome verdadeiro do grande caubói-cantor era Leonard Syle. De modo que minha primeira pergunta (após as saudações iniciais e eu pensar “ele tem a voz bem firme para quem nasceu em 1911”) foi: “Como você escolheu o nome Roy Rogers?” Resposta: “É meu verdadeiro nome, em homenagem ao caubói-cantor.” Pois é, tive de me segurar para não cair da sela e não dar bandeira de que eu ignorava – sim, “não me contaram e não perguntei” – que este Roy Rogers não era o caubói-cantor e sim outro, nascido em 1950, e que na conversa-entrevista descobri ser um já emérito guitarrista que havia tocado com gente boa como John Lee Hooker, Ray Manzarek e Linda Ronstadt, e que estava em sua primeira vinda ao Brasil (a segunda de outras foi em 1994 no Bourbon Street). Ah, sim: o Roy Rogers caubói-cantor só parou de fazer suas “happy trails” bem mais tarde, em 1998, aos 86 anos.






Outra confusão divertida se deu graças à canção “Blame It On The Boogie”, lançada em 1978 por seu autor, o inglês Mick Jackson. Ele queria que a canção fosse regravada por Stevie Wonder, mas já havia muito tempo que este não dependia de canções alheias, e quem acabou dando à canção um sotaque Motown foram The Jacksons, embora já não fossem mais artistas da Motown nem se chamassem mais The Jackson Five. O empresário dos Jacksons encantou-se com “Blame It On The Boogie” a ponto de convencer a gravadora (Epic, selo da toda-poderosa Columbia) a correr para lançar o disco. E a Epic não correu, voou: as gravações de Mick Jackson e dos Jacksons saíram praticamente juntas. O disco de Mick Jackson fez sucesso, mas o dos Jacksons fez ainda mais; o próprio Mick Jackson se divertiu com a situação, reconhecendo que a regravação dos Jacksons ficou ainda melhor que a dele. Mas já que o assunto deste artigo é a confusão entre artistas xarás, muita gente – inclusive o jornal inglês Melody Maker – pensou que o “M. Jackson” autor da canção fosse Michael!

Não esqueceremos dos dois mestres da gaita de blues chamados Sonny Boy Williamson, sendo que o mais novo (Alex Ford, 1912/1965) adotou este nome em homenagem ao mais antigo (John Lee Curtis Williamson, 1914/1948, grande pioneiro da gaita no blues – e mais antigo que o outro em termos de gravações, embora mais jovem) e, para evitar confusão, assinava-se também como Sonny Boy Williamson II ou Rice Miller. Mais natural tem sido a confusão entre outro artista influente, George Formby (nascido George Hoy Booth, 1904/1961), uma espécie de Juca Chaves inglês, armado de seu ukulele e letras de duplo sentido (e honrosamente citado em capas e encartes de discos como os Kinks e o Queen), e seu pai (“al secolo” James Lawler Booth, 1875/1921), pioneiro do “music-hall” inglês e de quem tomou o nome artístico. (E sabem quem mais imitou algo de George Formby pai? Charlie Chaplin, com o chapéu e a bengalinha. Sim, um bêbado trajando luto também me lembra George Formby pai.)

Como nota final de alívio após tanta confusão, não deve haver muita gente capaz de confundir Mike Love, vocalista dos Beach Boys, com Mike Love, baterista dos contemporâneos e conterrâneos The Uniques, que fizeram muito sucesso em seu país com “Not Too Long Ago” e “All Those Things” e no Brasil com “Georgia on My Mind” e “Fool Number One”.

Também acho pouco provável confundir o Raulzito que transou com Deus e com lobisomem com o Raulzito presente em um dos dois lados deste "split-EP" independente ainda mais obscuro que o mítico "Nanny"/"Coração Partido"...



GUITARRISTAS E VIOLONISTAS


Talvez eu seja a única pessoa no mundo a gostar do álbum (sem título) que os Troggs, uma de minhas bandas inglesas preferidas, lançaram em 1975. Mas certamente não devo ter sido a única pessoa a ter lido na contracapa o crédito “Sideman: Peter Green, acoustic guitar” (“auxiliar: Peter Green, violão”) e pensar que era o ex-guitarrista da banda inglesa Fleetwood Mac. Levei anos para perceber que este Peter Green era bem outro, embora também inglês e seu verdadeiro nome fosse realmente esse, por extenso Peter Charles Green. Ele gravou e compôs ainda como Peter Lee Stirling e Daniel Boone, emplacando com este nome o megahit “Beautiful Sunday”, igualmente megahit no Brasil como “Domingo Feliz” na voz de Ângelo Máximo.

Outros dois grandes guitarristas xarás, desta vez estadunidenses, são Glen Campbell e Glenn Campbell. A diferença, além do “n” a mais, é que o primeiro chegou a ser integrante dos Beach Boys e, além de preclaro instrumentista, é também o grande cantor de sucessos country-pop como “Honey Come Back”, “True Grit” e “Gentle On My Mind”, e o outro foi integrante de The Misunderstood, uma das mais subestimadas e injustamente obscuras bandas de rock psicodélico dos anos 1960.


E admito que na Bienal do Livro de 2018 adquiri o romance A Perfeita Ordem Das Coisas pensando que seu autor, David Gilmour (nome muito mais destacado que o título do livro nesta edição brasileira), fosse o guitarrista do Pink Floyd. Só depois me alertaram e reparei na orelha do livro: este David Gilmour é um escritor canadense. Pelo menos não me saí mal, pois paguei barato pelo livro, e ele vale mais, é bem escrito (inclusive menciona muita música, direta e talvez indiretamente – o “talvez” se deve a trechos como este: “Parei diante de uma danceteria vazia – luzes vermelhas e verdes percorriam o salão, como se fossem um louco brandindo um machado.” Terei sido a única pessoa a se lembrar de “Careful With That Axe, Eugene” da banda do outro David Gilmour?).

Por falar em bandas inglesas, nos idos de 1978 descobri ser grande fã da música dos Kinks e hoje eles são a banda inglesa que mais me diz. Mas tive de forçar a vista para perceber que o Ray Davies líder e guitarrista da banda não era o mesmo Ray Davies trompetista, compositor e maestro que, ainda por cima, nos anos 1970 lançou com sua banda Ray Davies & His Button Down Brass (inclusive no Brasil) alguns discos pela gravadora Pye, a mesma dos primeiros discos dos Kinks. E ao compilar todas as composições de Ray Davies não lançadas por sua banda para a Kinks Preservation Society – primeira pesquisa de tal porte em todo o mundo – precisei prestar atenção para não incluir ”Why Can’t We All Get Together” e outras composições do “outro”.

Mais difíceis de serem confundidos são o Carl Perkins guitarrista pioneiro do rockabilly e o Carl Perkins pianista de jazz. Agora, não deve ser muito difícil confundir o John Williams grande violonista australiano com o John Williams estadunidense autor de trilhas sonoras (TubarãoE. T.Indiana Jones). Idem o Brian May inglês (o magistral guitarrista da banda Queen) com o Brian May australiano (maestro, pianista e autor de trilhas de filmes como Mad Max e Mad Max 2). E o Queen logo voltará à nossa conversa.



BATERISTAS

A exemplo dos dois Mike Love que citámos, talvez também não seja muito fácil confundir o Jim McCarty baterista da banda inglesa The Yardbirds (atualmente minha terceira melhor banda inglesa dos anos 1960) com o Jim McCarty guitarrista das bandas estadunidenses Cactus e Mitch Ryder & The Detroit Wheels. Mas temos também o Roger Taylor baterista das bandas Queen e The Cross e o Roger Taylor baterista do Duran Duran (e, para quem se lembrar, Arcadia). Sim, o Queen, além de grande banda, é também grande geradora de xarás. Todos estes artistas eram da gravadora EMI, e aqui vai mais um aparte pessoal: além de jornalista e pesquisador, sou contrabaixista, e às vezes fico tentado a mudar meu nome para John Deacon, montar novo grupo e ir bater à porta da EMI.

CONTRABAIXISTAS

John Paul Jones, além de designar o almirante de origem escocesa do século 18 que se tornou a primeira grande personalidade da Marinha estadunidense, é um nome tão bom para artista de rock que tem sido usado por muitos antes e depois do contrabaixista e maestro inglês John Baldwin ter adotado tal cognome. Alguns de que tenho notícia são os ianques dos compactos “The Wahoo”, de 1963 (produzido por Kim Fowley, um Carlos Imperial gringo e loucaço) e “One More Hanging To Go” de 1966 (neste a produção coube a Huey P. Meaux, famoso por cuidar de grandes discos de cajun, Tex-Mex e country) e o inglês John Paul Joans, do hit “The Man From Nazareth” mas que, processado pelo ex-John Baldwin, teve de mudar de nome para seus discos seguintes, escolhendo o bem mais simples e sucinto John – sim, um “João Só” bem mais sutil, mas que com este novo nome emplacou um sucesso a menos que seu xará brasileiro.



Um pouco menos fáceis de serem confundidos são o Chris White contrabaixista dos Zombies (atualmente minha segunda banda inglesa do coração) e o Chris White famoso pelo hit “Spanish Wine”, de 1976. Ambos são ingleses, mas o nome completo do Zombie é Christopher Taylor White e o do outro é Christopher George White. Um detalhe triste é este último ter falecido em 2014, de câncer. E um detalhe engraçado é a edição brasileira de seu maior hit ter cometido no selo um erro de digitação que resultou num trocadilho involuntário. (Este disco tem mais um detalhe pertinente a este tópico: o Tom Parker creditado no selo não é o tristemente famoso empresário de Elvis Presley, mas sim um maestro e arranjador inglês cujo maior hit foi “Joy”, um arranjo rock para “Jesus, Alegria Dos Desejos Humanos” de J. S. Bach.). E podemos deixar em paz o Chris White saxofonista que tocou com os Dire Straits (mas não no álbum Brothers In Arms), Paul McCartney e muito mais gente boa.

Mas qualquer pessoa que se aventurar a escrever biografias de Ozzy Osbourne e do Black Sabbath estará apta a publicar um “diário de um louco(a)”. Sim, Ozzy nasceu Michael John Osbourne na Inglaterra, e há fotos dele tocando contrabaixo, mesmo que apenas fazendo pose. Mas antes de ele se projetar no Black Sabbath em 1970 tivemos o contrabaixista Greg “Oz” Osborne da banda estadunidense Coven, cujo primeiro álbum, de 1969, abre com uma faixa intitulada “Black Sabbath” (sim, a inspiração foi a mesma da banda inglesa, o filme de terror de 1963 dirigido por Mario Bava e estrelando Boris Karloff). E o contrabaixista inglês Mike “Oz” Osborne, da banda Magic Lanterns, passa a vida esclarecendo que não é Ozzy Osbourne, assim como este nega ser o mesmo dos Magic Lanterns – o maior caso de “só que não” do rock. Um bom texto sobre o assunto, incluindo fotos, está aqui.

BANDAS

Todo mundo já sabe que a banda inglesa dos anos 1960 Nirvana precisa ser mencionada como “o Nirvana inglês” para não ser confundida com o Nirvana de Seattle, mais recente porém muito mais famoso. E acho que ninguém consegue confundir os Primitives de Lou Reed com os Primitives ingleses dos anos 1980. Idem o Music Machine estadunidense dos anos 1960 e o Music Machine formado no Brasil pelos grandes argentinos Tony Osanah e Willy Verdaguer.





Mas parece que algumas gravadoras adoram certos nomes de bandas. Um exemplo é a Capitol estadunidense ter lançado dois The Knack, um nos anos 1960 e o outro (bem mais famoso) na década seguinte, embora com estilo calcado na década anterior. (De quebra, temos outro The Knack dos anos 1960, só que inglês, e que tomou seu nome do filme homônimo exibido aqui como A Bossa Da Conquista.) Outro são as duas Wax lançadas pela RCA, uma ianque e a outra (mais exatamente, um duo) inglesa (que emplacou inclusive no Brasil sucessos como “Right Between The Eyes”).





Ainda nos anos 1960, quantos garotos e garotas amavam os Beatles e os Rolling Stones de universos paralelos? Os Beatles que lançaram um compacto intitulado “The Girl I Love” não são aqueles de Liverpool e sim um pessoal ianque moleque que-que-que seguia à risca o preceito perca-o-sucesso-mas-não-perca-a-piada. E muito antes de Jagger conhecer Richards houve nos EUA outro grupo chamado Rolling Stones, que gravou pelo menos este compacto em 1956, mas pelo jeito rolou pouco, criou muito limo e sumiu.



E no Brasil? Ao pesquisar para esse texto fiz uma descoberta que, se não muito importante, pelo menos é minha: o que não falta são bandas brasileiras de alguma importância que têm uma xará, anterior ou posterior, de Minas Gerais. Tal constatação merece até um parágrafo bom demais da conta só para ela.





Analfabitles é um nome trocadilhesco tão bom que foi usado por pelo menos duas bandas dos anos 1960, uma de Minas Gerais (gravou em discos dos selos locais Bemol e Palladium) e a outra do Rio (lançou dois compactos em inglês pela RCA) A banda Sepultura mineira é merecidamente uma das reconhecidas em nível mundial, e ninguém irá confundi-la com a homônima brasiliense que surgiu bem antes mas não conseguiu se projetar, só estreando em discos em 1991 (com o LP independente A Verdadeira Sepultura), e hoje atende por Sepultura de Brasília. Por falar em peso, temos duas bandas xarás mais pesadas que o ar: o famoso 14-Bis de Flávio Venturini, surgido no fim dos anos 1970, e o bem menos famoso e mais obscuro 14-Bis – mas também mineiro! – que gravou apenas um compacto de hard-rock na outra ponta da década, em 1971 ou 1972. E todo mundo sabe que o grande Guilherme Arantes tocou numa banda chamada Brazilian Boys, mas nem todo mundo sabe que este Brazilian Boys paulistano não chegou a gravar discos e NÃO é o mesmo Brazilian Boys mineiro que nos anos 1960 gravou alguns compactos de iê-iê-iê nos selos Chantecler e Palladium e na década seguinte mudou totalmente de estilo e formação, gravando LPs pela CID e pelo menos uma faixa cult, “Super-Heróis”, lançada em compacto.







DIVERSOS

Falamos em Paul McCartney; pois bem, ele pode se gabar de ter gravado com todos os Brian Jones saxofonistas que conheço. Um é o dos Stones, a princípio guitarrista e gaitista mas que se revelou multiinstrumentista, e é ele quem toca saxofone em “You Know My Name” dos Beatles. O outro é o dos Undertakers, uma das primeiras bandas liverpudlianas de rock and roll, e que também tocou em gravações de seu conterrâneo Michael McGear (irmão de Macca, que produziu algumas destas gravações). Muita gente boa pensa que o Brian Jones de “You Know My Name” é o dos Undertakers, mas este nega: “Esse é o Brian Jones que não sabia nadar.”

Não sei se Ian Stewart (1938/1985), pianista dos Stones injustamente nunca creditado como tal e apenas como convidado, sabia ou não nadar. Mas com certeza ele gravou pelo menos um disco solo (em 1966, com participação de ao menos Bill Wyman e Keith Richards) e, infelizmente, nasceu depois e faleceu antes de outro pianista inglês também chamado Ian Stewart (1908/1989), que fez muito sucesso nos anos 1950 e cujos discos incluem este 78 RPM de 1954; ele merece ser mais conhecido, e um bom começo é este texto aqui.




O assunto vai longe, mas por ora lembrarei ainda que o cantor romântico Biafra foi o responsável pelo guitarrista homônimo ter mudado seu “nom de plume” para Mário Manga após a primeira gravação do Premê, “Brigando Na Lua” no LP do festival da TV Cultura de 1979. E meu parceiro Wilson Rocha e Silva ter acrescentado o “Silva” a seu nome ao se casar (sim, tanto homens casadouros como mulheres idem podem mudar de nome, e nem prcisam mudar se não quiserem) ajuda a diferenciá-lo do saudoso Wilson Rocha escritor e roteirista da Rede Globo de Televisão. Para terminar, temos o Roberto Carlos sanfoneiro, que em 1960 lançou seu único disco, “Baião Japonês” – único disco usando esse nome, pois com o tempo ficou bem mais famoso com outro cognome artístico, Robertinho do Acordeon.

(Muitas das imagens de discos deste artigo saíram de meu acervo, e outras são das cada vez mais recomendáveis páginas 45cat e Discogs.)

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