Wednesday, March 25, 2026

LEMBRANDO A MÚSICA NA TELEVISÃO BRASILEIRA: "NÃO DESLIGUE, NÃO"

 



Sempre me lembro do maxixe “Não Desligue, Não” desde que o conheci, se não me engano em 1964, o próprio ano de seu lançamento. Era um dos muitos prefixos musicais da TV Excelsior, e aparecia, junto com uma imagem estática dos bonequinhos símbolos da emissora (não essa imagem acima e sim uma deles consertando um aparelho de televisão, que tenho na memória mas não encontrei na internet), quando havia um problema técnico que interrompesse a programação. Esse maxixe tinha a mesma função de música de espera telefônica, porém com efeito muito mais agradável... 

Um dos fatores que fizeram da Excelsior uma das melhores emissoras de TV foi ter como diretor de programação ninguém menos que um dos campeões do jingle publicitário, Miguel Gustavo (1922/1972), compositor dos mais ativos e criativos e autor do maxixe em apreço. Aqui vai a letra:

Não desligue, não
O defeito é nosso
Estou fazendo o que posso
Para endireitar a televisão
Um bom programa vem aí
Estou tentando endireitar
Sou igual a você,
Eu também quero ver
Também quero escutar
Não desligue, não!

Eu já havia falado sobre esse maxixe neste blogue em 2005, e sete anos depois consegui incluí-lo num programa especial sobre Miguel Gustavo na Rádio Matraca. Foi um esforço de reportagem, de puxada pela memória e reconstituição histórica, pois não encontrei nenhuma gravação cantada e o jeito foi regravar o tema conforme consegui me lembrar. Na gravação toquei tudo e criei uma bandinha de coreto psicodélico; no programa quem cantou fomos eu e Laert Sarrumor, mas aqui temos outra mixagem cantada pela cantora Suzzy Mellody, também de 2012.

Só mais recentemente descobri que "Não Desligue, Não" teve pelo menos outro registro, porém instrumental, com a bandinha de Altamiro Carrilho, no LP Altamiro Carrilho E Sua Bandinha No Largo Da Matriz lançado pela gravadora Copacabana em 1966 e que pode ser ouvido aqui (por sinal, a gravação é tão boa que logo esquecemos o zumbido eletrônico no fundo desta transcrição...).


Uma curiosidade adicional é este maxixe ter sofrido ameaça (felizmente não efetivada) de censura, não da ainda recente ditadura militar e sim da própria emissora, conforme o recorte abaixo da revista Intervalo (edição da semana de 22 a 28 de novembro de 1964). Pelo adjetivo "cocorocada", suponho que o texto seja de Stanislaw Ponte Preta, colaborador da revista... Mas, infelizmente, já existia "cancelamento", embora não com esse nome...






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